Emanuel Müller
O peso do churrasco
Publicado em 12/11/2012

Editorial

O final de semana referendou o apoio da população à Festa Internacional do Churrasco. A décima edição do evento prova a cada ano a aceitação não apenas da comunidade local, mas do caráter de confraternização que se tornou o evento. Desde a primeira edição, ainda no complexo esportivo do Militão em 2002, até agora, milhares de pessoas já aproveitaram para se integrar a uma das ações mais comuns na região da Campanha: assar um pedaço de carne. Seja em churrasqueiras tradicionais, na trempe ou na vala.  Com o passar do tempo e a melhora na infraestrutura do Parque do Gaúcho, a migração da festa para o local tornou-se inevitável. Claro, já houve problemas - o trânsito ficou confuso, faltaram banheiros químicos e até carne, para quem quis consumir um churrasco sem precisar enfrentar o calor da churrasqueira acabou faltando nas primeiras edições. Entretanto, com esforço dos organizadores, entendimento da dimensão da programação e boa vontade, foi possível evoluir em todos os aspectos. Houve momentos até, em que o bom senso falou mais alto - como em 2009 que, após a enchente que atingiu o município deixando desabrigados, o poder público suspendeu a oitava edição do evento.  Todo esse aprendizado faz com que os bageenses ajudem a construir a história da Festa do Churrasco. Além da melhor estrutura oferecida no local do evento há outros setores que ganham: supermercados, açougues, distribuidores de bebidas, lenha e carvão. Não há dúvidas que o incremento na economia acaba como marco inicial de outro período significativo de vendas, que é o Natal. A integração, entretanto, é a maior conquista. Os acampamentos, os shows, as provas campeiras e, agora, a cidade cenográfica de Santa Fé. Isso compõe um cenário positivo no enriquecimento da cultura típica dos pampas, seja do ponto de vista tradicional ou mesmo turístico. Fica, agora, o desafio aos organizadores: melhorar ainda mais a estrutura. Buscar maneiras de atrair um público ainda maior ao evento. Quem sabe complementando algumas obras no Parque do Gaúcho, como um memorial, por exemplo, contando o porquê de Bagé ser conhecida no estado como a "cidade do homem do campo". Não é paradoxo: somos assim. E é com pitadas de tradição e modernidade que vamos moldando nosso futuro. 

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