O medo de morrer ajuda o isolamento
Publicado em 31/03/2020

Política

O brasileiro por ser contestador não tem medo das possíveis multas que lhe poderiam aplicar caso saísse às ruas em horários não permitidos. Não tem medo de cadeia, pois, segundo o machismo ainda reinante, “cadeia é para homem”. Agora, não se tenha dúvida que, até os defensores do machismo ‘tem medo de morrer’. Quem nunca entrou em uma igreja e defende a tese que ‘eu não tenho medo de nada’, na primeira dor de barriga, assustado (a) recorre a uma igreja. Ai passa a ter fé em Deus. Até então, ao tentar fazer qualquer ‘negócio’, a primeira palavra que lhe vem à boca é ‘se Deus quiser’. Mas continua sem entrar em uma casa religiosa. Até que a doença, em um familiar ou amigo (a), se aproxime dele (a). Aí procura recurso em uma casa religiosa. Então, outra vez, relembro um samba de Almir Guineto, que explica bem o que estou tentando dizer: “Deus já deve estar de saco cheio”. No momento estamos em pânico. Não só pelo vírus em si, mas pela falta de atividade que atemoriza quem está ficando sem dinheiro para viver. O que mais irrita quem tem a obrigação de comentar os fatos é que estão usando o vírus para fazer apologia política. É uma autentica ‘campanha eleitoral antecipada’. E isso se nota em todo o Brasil, pelas informações que, minuto a minuto, nos chegam. Usando a saúde do povo como prioridade nas decisões tomadas, o que deve ser aplaudido, os governos continuam buscando a mídia para suas declarações. Os espaços estão abertos e cada um usa a sua maneira. O presidente da República tem um ‘estilo’ de comunicação que desagrada aos adversários, mas isso é natural. Nunca a oposição vai abrir a boca a não ser para criticar o governo. E isso independe do partido que estiver governando. Como se sabe, ‘oposição de hoje, já foi situação de ontem’. E aqui vem outro detalhe que é importante: A crise atual, provocada pelo vírus, está acontecendo em ano eleitoral. No Brasil, é claro. Alguém há de contestar que a eleição é de prefeitos e vereadores. Pois é, para mim, é a base para as demais. É nos municípios que se produz, que se gera emprego e que são a base da arrecadação do ‘bolo’ nacional. Se diga de passagem, enche os caixas das prefeituras, estados e união. Pois bem, vivemos em plena campanha eleitoral. Nem se sabe se ela vai ser realizada em outubro, porque tem gente querendo transferir. É aqui o problema. Estão usando decisões sobre o combate ao vírus, para incrementar o debate politiqueiro. E isso o povo está se dando conta. Tanto é verdade que, em alguns momentos do isolamento, o movimento de público nas ruas aumentou. Será que perderam ‘o medo’ do vírus? Ou será que a necessidade para adquirir bens necessários à sobrevivência falou mais alto? É uma coisa que só o tempo dirá. Agora, que aumentou, é constatação. Mas, a disputa continua.        
Bolsonaro vai às ruas sem anunciar
A gente sabe que ele tem estratégia própria de divulgação. Mostrou em alguns momentos que não precisa da mídia para divulgar suas decisões. Ele usa as redes sociais. Aliás, foi através deste meio que ele conseguiu se eleger presidente. E isso ele nunca vai abandonar. Pois bem, andou pelas ruas de Brasília, visitando farmácias, padarias, pequenos comércios, mandando seu recado. Num determinado momento, porém, não sei se combinado ou não, alguém lhe perguntou: “O senhor está desrespeitando a decisão de seu ministro da Saúde e juntando gente ao seu redor? “Não juntei ninguém porque não divulguei a caminhada por nenhum meio de comunicação”. Como a dizer que ‘o povo está na rua porque é livre’. Os partidos de oposição sentaram o ‘porrete’ no governo. Também é natural porque oposição é isso, em qualquer governo. Ao mesmo tempo, outra matéria publicada pela imprensa, mostra que ‘a briga’ entre Executivo e Legislativo continua. A bola da vez é o combate ao vírus. Leia:
Alexandre Moraes libera geral
Usando o vírus como ‘abre alas’, o governo consegue, liminarmente, passa por cima da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e recebe liberação para gastar o que for necessário, para amenizar o problema. O governo não vai precisar justificar a extensão das medidas sobre o vírus e poderá expandir programas voltados às empresas e trabalhadores. Vai depender do plenário do Supremo. Enquanto isso, a liminar tem valor. Será que a liminar lhe dá poder para, inclusive, cortar verbas partidárias, usando como argumento a aplicação no combate ao “vírus”? Isso poderá aumentar o movimento para suspensão das eleições de outubro. Não será jogada ensaiada? A liberação poderá ser usada pelos estados e municípios? Liberou geral. Ou não?  

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