O direito à amamentação e a bestialidade humana
Publicado em 16/04/2019

Editorial

Um dos pilares para o bom desenvolvimento do bebê foi atacado da forma mais baixa e vil que se pode imaginar, se é que dá para imaginar. Trata-se do direito da mãe amamentar o filho em lugares públicos. Na semana passada, a vereadora Elidiane Lobato (MDB) protocolou, no Legislativo, um projeto de lei que garante esse direito à mulher e à criança. A iniciativa da vereadora levou em consideração relatos de mulheres que passam por constrangimento em Bagé, sim, em plena aldeia, existe o preconceito com esse simples ato, porém importante e vital para o bebê. Uma mulher contou que foi constrangida em um restaurante ao tentar amamentar o filho. O dono do estabelecimento pediu que ela se retirasse e fosse para o banheiro, para não “constranger” os demais clientes. Uma professora da rede pública municipal  contou que passou por situação semelhante em uma agência bancária. Pois, além desses casos concretos, quando a vereadora postou o projeto de lei em suas redes sociais foi uma enxurrada de comentários, muitos favoráveis, mas inúmeros descortinaram um “câncer” ainda oculto na sociedade – que é o machismo, o preconceito e a falta de respeito. Homens não tiveram o menor pudor em utilizar a tela do computador e do celular como escudo para atacar de forma violenta a vereadora. Os ataques são estarrecedores, de mentes doentias. Para os leitores terem ideia da dimensão, este espaço publica parte do que escreveu um deles para a vereadora – “Isso mesmo. Mostre a teta em público...espera por preconceituosos e tarados te observando...se prepare para bater boca de frente”. Outro fala que não é natural amamentar um filho. Uma mulher se manifestou dizendo estar horrorizada com os comentários e afirmou que julga pertinente que se destaque no município a lei que dê amparo ao direito da amamentação em lugares públicos. Em tempos, onde o debate acerca da violência contra a mulher está presente em todos os segmentos, declarações desse porte são inadmissíveis, não podemos aceitar em hipótese nenhuma. Nesse caso, são vítimas as mães e a própria vereadora, de ataques misóginos. Às autoridades competentes, situações como essa não podem passar em branco. A bestialidade humana ainda se faz presente em mentes doentias, que hoje contam com o “amparo” de uma tela de computador ou celular para se esconder. A internet ainda é uma terra sem lei no País.

OLHO: “Os ataques são estarrecedores, de mentes doentias”

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