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NENHUM MINISTRO TEM CADEIRA CATIVA
Publicado em 20/02/2020

Política

Foi a primeira impressão que tive logo no início do governo Bolsonaro. Formou sua equipe com nomes que representavam partidos que o apoiaram na eleição. Até aí tudo bem, faz parte do jogo. Todo o governante que se elege, tem a caneta na mão para fazer as nomeações. O ditado popular está presente, de novo, ao compararmos com a política administrativa: ‘No andar da carroça as melancias se acomodam’.  Mas tem um porém, quando a estrada é esburacada algumas podem cair fora em cada solavanco. E a ‘estrada’ da política no Brasil está muito mais esburacada do que se podia imaginar. E isso vem sendo constatado em cada mudança de ministros. Não tenho em conta quantos ministros perderam seus cargos em um ano de governo. A Casa Civil, por exemplo, foi completamente modificada. Os cargos mais importantes caíram fora, com a substituição dos ministros. Os ocupantes do cargo se colocaram no ‘fundo da carroça’ que não tinha a tampa traseira e, no primeiro buraco, saltaram fora. Os militares que os substituíram têm mostrado mais ‘competência e ginga de corpo’ do que os políticos que caíram fora. Pelo menos publicamente. Sempre tem os preferidos do governante. Entre eles destaco Moro e Guedes que se colocaram próximos ao condutor da carroça, onde os solavancos eram menos intensos. Continuam sobre a proteção do condutor, que comanda as rédeas. Moro, por motivos óbvios, teria tirado da competição o maior adversário do comandante. A condenação de Lula, mais adianta provada que foi ‘combinada’ pela força tarefa, colocou Moro em uma posição privilegiada, que o mantém no cargo. Dali, penso, só sairá para o Supremo Tribunal Federal. E aqui outro ingrediente importante entra na feijoada: Elimina a possibilidade de Jair ter concorrência em sua caminhada para reeleição. Já Guedes, que embora tenha sido escolha pessoal do presidente, por seus laços de amizade anterior a eleição, tem o apoio irrestrito de quem move com a economia no país. Então, ambos, dificilmente ‘cairão da carroça”. O tema veio à tona após ler manchete que a imprensa publicou. Eu “colo”:  
BOLSONARO NEGA SAÍDA DE GUEDES           
Na solenidade de posse de novos ministros e na presença de membros do núcleo de governo, o presidente aproveitou para mandar algumas mensagens. Uma delas, que me chamou atenção pela convicção de sua afirmação, transcrevo: “Paulo Guedes vai ficar conosco até o último dia”. Como se sabe, o antes todo poderoso ministro da Economia, tem sofrido críticas fortes por algumas manifestações públicas. Entre elas o termo ‘parasita’ atribuído a funcionários públicos. A outra ao se referir que dólar baixo não existe e que isso proporcionou que empregadas domésticas viajassem para o exterior. A primeira reação foi do presidente do sindicato das domésticas, que repercutiu: “Viajam para acompanhar os patrões”. Mas o presidente Bolsonaro continuou com os elogios ao ministro da Economia: "Se o Paulo Guedes tem problemas pontuais, como todos nós temos, e ele sofre ataques, é muito mais pela sua competência do que por possíveis pequenos deslizes, que eu também já cometi no passado”. Após afirmar que Guedes não pediu para sair, como alguns órgãos de imprensa têm enfatizado, ele seguiu justificando a permanência: "Tenho certeza que, como um dos poucos que eu conheci antes das eleições, ele vai continuar conosco até nosso último dia”. No que foi aplaudido pelos assistentes presentes à solenidade.  "Uma das coisas mais importantes que aconteceram desde o início do mandato foi a recuperação da confiança que o mundo não tinha conosco. Paulo Guedes não é militar, mas é ainda um jovem aluno do Colégio Militar de Belo Horizonte". Isso por si já mostra que sua preferência por militares é o seu modo de governar. Pelo comedimento e lisura que os militares têm demonstrado em aparições públicas, não deixa de ter suas razões. Resumindo dois ministros civis ‘imexíveis’. Quem estava presente à solenidade de posse de ministros foi o presidente do Senado Davi Alcolumbre, que mostrou ‘surpresa’ após notar a ausência de Bolsonaro no Legislativo por ocasião da volta do recesso. Aliás, segundo consta, nos últimos anos foi o primeiro presidente a não comparecer.  Se dirigiu ao presidente do Senado e sentenciou: “Precisamos fortalecer nosso relacionamento''. Que bom que ocorra aproximação entre os poderes. Mas, como sempre, o presidente entrou em outra polêmica ao usar a frase: 'A jornalista quer dar o furo’. É o duplo sentido, muito usado pelos sambistas brasileiros. Já abordei isso ontem. Lembram?   
 

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