No Ar
Folha do Sul
Web Rádio

Necropsia vai apontar causa e horário da morte de idosa que teria sido velada viva
Publicado em 22/08/2019

Geral

Foto: Anderson Ribeiro

Da Cruz atuou por longos anos como auxiliar de perícias

O delegado regional, Luís Eduardo Benites, relatou que o inquérito policial para apurar o caso de Rosaura Vaz, 79 anos, foi instaurado. Familiares afirmam que a idosa foi velada viva na madrugada de terça-feira, no cemitério de José de Arimateia. Ontem à tarde, os familiares foram ouvidos na 2ª Delegacia de Polícia. “O corpo foi encaminhado para a necropsia, que vai determinar a causa e o horário da morte. Isso vai determinar os caminhos da investigação”, esclareceu o delegado. O fato é que o inquérito foi instaurado; pessoas serão ouvidas e os próximos passos dependem do resultado da perícia.
O atestado de óbito de Rosaura foi emitido por volta das 00h30min de terça-feira. Ela estava internada há cerca de duas semanas na Santa Casa de Caridade de Bagé. À reportagem do jornal Folha do Sul, a neta da idosa, Sara Machado, 24 anos, relatou que a avó tinha previsão de alta na terça-feira. Segundo ela, a idosa teria passado mal antes da meia-noite de segunda-feira. Em seguida, por volta das 00h30min, o médico atestou o óbito.
Rosaura foi velada durante a madrugada. Familiares contaram que estranharam que o corpo não apresentava rigidez, a cor da pele esta corada e as pupilas não estavam dilatadas.
No início da manhã, um dos familiares verificou os sinais vitais. Ao Folha do Sul, o neto da idosa, Josué Machado, 30 anos, afirmou que a pressão dela estava 12 por sete e tinha batimentos cardíacos. Em razão disso, a família chamou o médico, que foi até o cemitério por volta das 8h40min. Depois de verificar o corpo, ele teria retornado para o hospital. Depois, por volta das 11h, enviou uma ambulância até o local para levar a idosa até a Santa Casa. Os familiares acreditam que foi aí que ela morreu.

“Provamos que a idosa estava em óbito”
O administrador da Santa Casa de Caridade de Bagé, Alexandre Andara, afirmou ao Folha do Sul que o hospital foi avisado por um familiar, alegando que a idosa estava sendo velada, mas estaria viva. “Montamos uma equipe e enviamos uma ambulância até o cemitério José de Arimateia”, frisou. Segundo ele, a equipe removeu o corpo, acompanhado de um familiar. “Provamos que a idosa já estava em óbito”, asseverou.

Profissional afirma que nunca viu caso igual em Bagé
Luiz Alberto da Cruz Arrascaeta, 73 anos, mais conhecido como Da Cruz, atuou como legista por muitos anos. Ele começou como auxiliar de perícia em 1977; fez concurso em Porto Alegre e veio trabalhar em Bagé. Na Rainha da Fronteira, viu de tudo, no que se refere à morte. A reportagem conversou com ele sobre esse caso em que a idosa foi velada viva, como afirmam os familiares e a Santa Casa refuta. O objetivo foi saber se esse profissional tem conhecimento de algo parecido em Bagé, já que atuou tantos anos nessa profissão.
Da Cruz, que está aposentado, respondeu que na Rainha da Fronteira, ele não tem conhecimento de caso parecido. Porém, lembrou de um fato ocorrido em Candiota, lá pelos anos 90. 
Por volta das 7h20min, ele que era auxiliar de necropsia do Instituto Médico Legal de Bagé, foi chamado pela polícia de Candiota. A informação era de que um homem estava morto na localidade dos Marimon, entre Seival e João Emílio.
Da Cruz pegou o caixão que a funerária usa para buscar os corpos para necropsia e se dirigiu ao município vizinho. Quando chegou no local, assim que retirou a “urna” do carro funerário para recolher o corpo, alguém o avisou que o homem de aproximadamente 62 anos estava vivo. “Ele estava sentado à mesa tomando café”, recordou Da Cruz.
Reportagem da época, relata que o homem havia tido uma ataque de epilepsia, foi dado como morto e comunicado à polícia. Na ocasião, o perito tinha 24 anos de profissão. “Imaginem se eu tivesse colocado o homem no caixão e ele acordasse no meio do caminho?”, disse Da Cruz, na época em entrevista.


 

Deixe sua opinião