Fronteira Brasil-Uruguai
Municípios acumulam saldo negativo de duas mil demissões em 2020
Publicado em 30/06/2020

Geral

Foto: João A. M. Filho

Após a retomada da divulgação dos dados de empregos com carteira assinada pelo governo federal, o jornal Folha do Sul retoma a análise do cenário do mercado de trabalho formal para os 16 municípios que fazem divisa com o Uruguai. Somente neste ano, já foram fechados 2 092 postos de trabalho em 16 cidades, com queda acumulada de 2,84% dos empregos com carteira assinada, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério da Economia.

Conforme os dados, abril foi o pior mês do ano para os municípios de Aceguá, Bagé, Barra do Quaraí, Candiota, Chuí, Dom Pedrito, Herval, Hulha Negra, Jaguarão, Lavras do Sul, Pedras Altas, Pinheiro Machado, Quaraí, Santana do Livramento, Santa Vitória do Palmar e Uruguaiana. Somente no quarto mês do ano, momento mais severo das ações de distanciamento e comércio fechados, os 16 municípios acumularam a perda de 1 470 postos de trabalho.

Um fato relevante que mostra o tamanho do rombo causado, principalmente, pela pandemia por coronavírus, é que somente dois entre 16 municípios pesquisados geraram empregos no acumulado do ano, porém, com resultados irrisórios perante as perdas. A análise destaca que Aceguá (+1) e Pedras Altas (+8), que juntas contam com somente 1,36% do total da população dos 16 municípios, foram os únicos, até o momento, que obtiveram valores positivos em 2020. Em maio, dos 16 destinos pesquisados, somente Hulha Negra admitiu mais que desligou trabalhadores, com saldo positivo de 16 contratos firmados.

Entre o grupo de 16 cidades da fronteira Sul, em maio, a queda continua, porém menos intensa. Segundo o Caged, Uruguaiana e Bagé – as duas maiores cidades entre os destinos pesquisados – foram as com maior saldo negativo para o mês, -236 e -220, respectivamente. No geral, o acumulado alcançou -985 vínculos formais para o quinto mês do ano, enquanto o Rio Grande do Sul também obteve resultado negativo, com 32 106 demissões a mais de que contratos firmados.

Entre os 16 municípios pesquisados, o pior resultado no acumulado do ano fica para Bagé, com -588 de saldo, com variação de -3,38%; seguido por Uruguaiana que registrou 433 desligamentos a mais que as contratações, queda acumulada de -2,27%.

Efeito pandemia

A curva negativa coincide diretamente com os meses com a chegada da pandemia por coronavírus aos municípios, que resultaram em lockdown – fechamento do comércio, cancelamento de atividades públicas e aulas presenciais, além de restrições severas à movimentação e abertura do comércio somente para serviços essenciais. Em municípios como Bagé, Dom Pedrito e Santana do Livramento, o fechamento obrigatório das atividades resultou no saldo negativo de -1 198 vagas formais, isso somente para os meses de abril e maio.

Comparados ao Estado, os resultados acumulados ainda são menos intensos, pois enquanto a região pesquisada teve queda de 2,84%, o Rio Grande do Sul teve no ano uma retração de 3,59% nos empregos formais, o que significa 90 569 gaúchos que tiveram os contratos encerrados em 2020.

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