Mulheres: a Força da Comunidade & Servir e Proteger
Publicado em 14/03/2020

Segurança

Foto: Divulgação/FS

A mulher que protege as famílias, o patrimônio, nossa vida, sem hora e nem certeza de que vai voltar para casa, acumulando papel de mãe, esposa e profissional, seria mesmo o sexo frágil? As mulheres lutam lado a lado com os homens das suas categorias e ocupam postos que antigamente eram ocupados somente por eles.  Elas não querem ser melhor ou igual aos homens, elas querem respeito pelas suas escolhas. Hoje, as homenageadas desta editoria são: a sargento Juliane Rodrigues e a inspetora Leila Simões, duas batalhadoras que atuam há mais de duas décadas na Segurança Pública. 
   
Leila Simões, 63 anos, é formada em Biologia e trabalha como inspetora da Polícia Civil há 24 anos. Atualmente, está desempenhando suas funções na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), mas, durante esses anos de trabalho na Rainha da Fronteira, Leila também já travou lutas ferrenhas no combate ao abigeato e demais tipos de crime.
“Nesses 24 anos de serviço policial desempenhei atividades em diversas delegacias de polícia e também em operações fora do município. Foram muitos casos atendidos. Durante esse tempo, me deparei com várias situações que exigiram equilíbrio, bom senso e firmeza. Houve situações tristes, chocantes, mas sempre busquei dar o melhor, sem perder a ternura”, destacou.
Leila é umas das mulheres que atuam na Polícia Civil há mais tempo em Bagé. “Ao longo do tempo, as mulheres se superam cada vez mais na busca de espaço, quebrando as velhas barreiras culturais no que diz respeito à natureza do ofício. Hoje, as pessoas estão mudando a concepção de uma polícia truculenta, pois contamos muito mais com perspicácia e também tecnologia para ajudar nas investigações, bem como a utilização desses recursos independente de sexo. Acredito que a postura da mulher faz toda a diferença no enfrentamento do preconceito. A atitude que as mulheres tomam pode facilitar ou dificultar a discriminação”, salientou.
Entre as dificuldades e desafios de ser mulher e policial, a inspetora Leila relata que diversas vezes teve de deixar de participar de comemorações em família para desempenhar suas funções. “Em algumas ocasiões, deixei de participar de encontros comemorativos e marcantes com a família e amigos, em razão do desempenho do ofício policial. Assim como muitas vezes, tomada pelo cansaço, físico e mental, estar pronta para ações policiais e desempenhar a função de mãe e dona de casa. À medida que o tempo passa, o nosso aprendizado se intensifica e também a nossa acuidade e sensibilidade ao lidar com diversas situações, como, por exemplo, ao ter que tratar com vítimas e agressores, buscando sempre o prevalecimento da verdade e o cumprimento da lei”, completou.
Juliane Rodrigues, 41 anos, é graduada em técnico em Segurança Pública e incluiu na Brigada Militar há 22 anos. “Ingressei em 1998, em Santa Maria, minha terra natal. Após um ano e dois meses de curso, me formei soldado; fui classificada em uma cidade pequena, chamada Passa Sete. Lá, atendi a pior ocorrência da minha vida, como ser humano. Uma mãe matou a filha de 9 anos a facadas e só não matou o outro filho de 4, porque ele conseguiu fugir de dentro de casa. Foi difícil chegar lá e ver aquele cenário de pobreza, sangue escorrendo pelas frestas do assoalho da casa, um inocente caído ao chão, que não teve chance de defesa; além do caos instalado do lado de fora da residência por parentes da vítima e o pai querendo matar a mulher, a qual tentou se suicidar com veneno, mas não conseguiu. Isso me marcou muito até hoje; depois fui assimilando”, contou. 
A sargento Juliane explicou que trabalhou em várias cidades do Rio Grande do Sul; em 2003, segundo ela, passou no curso técnico em Segurança Pública, antigo curso de sargento. “Passei mais dois anos em curso; logo em seguida, fui transferida para Bagé. Aqui trabalhei no 6º Regimento de Polícia Montada onde tive a oportunidade de exercer várias funções - uma das últimas foi comandar o Pelotão de Aceguá. Agora, estou no comando rodoviário, exercendo  a função de comandante do 2º Pelotão Rodoviário da Rainha da Fronteira”, disse. Sobre ser mulher e ser policial, a sargento Juliane frisou que poderia falar muitas coisas, mas resumiria com uma mensagem que, inclusive, ela teria passado aos colegas do pelotão rodoviário, falando sobre o tema. “Falei que não buscamos ser melhor ou igual aos homens, apenas o respeito por nossas escolhas”, ressaltou.  
“As dificuldades vão sendo superadas a cada dia,  pois ‘nem tudo são flores’. Sou uma mulher como tantas outras; tenho casa, uma filha, marido e minha profissão. Às vezes, falta tempo para tanta função, contudo, as mulheres têm dessas coisas, de achar um tempinho para tudo. Esse é o nosso maior desafio: conseguir ser boa em tudo que fizemos (mãe, esposa e policial militar). Não me vejo sem uma dessas funções, eu amo ser mãe, amo meu esposo; sempre disse a todos que me conhecem, eu amo minha profissão; amo ser policial e amo usar essa farda. Sou feliz por tudo que sou”, completou a sargento. 

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