Mulher, polícia e sociedade
Publicado em 12/03/2020

Segurança

Foto: Divulgação/FS

Por muito tempo, mulheres em todo o mundo foram subjugadas e estereotipadas para determinadas funções em sociedade. Predominantemente, elas eram consideradas adequadas somente aos trabalhos domésticos e para o cuidado do marido e dos filhos. Aos poucos, essa realidade foi sendo modificada, mas ainda é um desafio atual. Homens e mulheres se valem de diferentes estratégias e habilidades para responder a uma mesma tarefa, o que não significa que um é melhor ou mais privilegiado que o outro para a execução dela. Veja exemplos de duas mulheres de fibra, que lutaram e lutam para vencer desafios e conquistar seus objetivos.
Bianca Rodrigues Feijó, tem 40 anos, é formada em Educação Física e escrivã da Polícia Civil há 16 anos. Desde que ingressou na instituição foi lotada na Rainha da Fronteira, inicialmente, na 2ª Delegacia de Polícia e há seis na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). “Todos os dias me deparo vivenciando situações que exigem muito de mim, uma entrega completa em defesa do próximo. Durante todo esse tempo, já passei pelas mais diversas situações, tensas e tristes. Afinal, este é o dia a dia da polícia; infelizmente, nosso trabalho é lidar com os problemas dos outros. O que os olhos de uma policial já viram, muitas pessoas não aguentariam. Não é fácil ver uma criança abusada, uma vida findada de forma violenta, uma mulher agredida pela pessoa que lhe jurou amor. Dói, dói muito, mas temos que segurar as lágrima e ir para a próxima, pois temos de estar firmes para ajudar sempre; às vezes, chorando por dentro (já chorei ouvindo o desabafo de uma vítima), pois precisamos nos colocar no lugar da pessoa que estamos atendendo, para que esta pessoa seja compreendida e ajudada, da melhor forma possível. Depois, ir para casa e continuar o trabalho como a imensa maioria das mulheres trabalhadoras desse país (a terceira  jornada)”, destacou.
Exercer atividade policial exige disposição para se dedicar aos problemas do próximo, despindo-se de preconceito e julgamento. “Quando falo em dedicação, sinto que nós mulheres temos uma vantagem, pois está na genética feminina estender a mão ao próximo. Crescemos vendo nossas mães tomarem conta da prole, da casa, do marido e ainda com disposição para trabalhar. Ou seja, desde muito pequenas, mesmo sem perceber, admiramos nossas mães, porque elas carregam o mundo nas costas e desejamos ser como elas. Nessa profissão não é diferente”, disse. 
Bianca descreveu, em poucas palavras, o que é ser mulher na Polícia Civil, em especial na Delegacia da Mulher, como: ser empatia a quem necessita ser compreendido; tolerância a quem necessita ser escutado e força para quem não consegue mais lutar sozinha. “Sou como qualquer mulher; tenho meus medos, insatisfações e desejos, mas quando estou policial eu preciso entregar à sociedade aquilo que ela espera de mim; preciso cumprir com o juramento que fiz há 16 anos, pois essa é minha tarefa. Aliás, é mais do que isso, é minha missão”, completou.
Sabrina Costa, tem 40 anos e é sargento da Brigada Militar. Ela ingressou há 13 anos na instituição. Atualmente, está servindo no 3° Pelotão Ambiental em Bagé. “Ingressei na Brigada em Santana do Livramento em outubro de 2006, pois estava residindo naquela cidade, posterior pedi transferência para Bagé, minha terra natal no final de 2008 me apresentando para trabalhar no 6º Regimento de Polícia Montada, onde executei serviço no policiamento ostensivo; sala de operações; guarda externa do Presídio Regional de Bagé; atividade de inteligência policial; curso de Sargento em Santa Maria; área de treinamento e operações e na área de logística e patrimônio”, explicou.
Sabrina relatou que a atividade de policiamento ostensivo é de grande maioria executada por policiais masculinos, mas também é efetuada por equipes compostas por homens e mulheres, que dentro das suas diferenças pessoais e de gênero, procuram efetuar o serviço da melhor forma possível, executando a atividade policial militar não deixamos de ser mulheres, esposas, mães, filhas, porém nosso serviço nos exige uma postura firme e forte nas diversas situações que se apresentam nas ocorrências policiais”, garantiu.
Sobre os desafios e dificuldades na profissão, a sargento destacou que o policiamento sendo uma profissão composta, em sua maioria, por homens existe certas barreiras a serem transpostas. “Graças  as mulheres que entraram antes de mim, que iniciaram a quebra deste paradigma e passaram por muitos obstáculos para serem aceitas e acreditadas não só dentro da Brigada Militar, mas também pela sociedade que não estava acostumada a ver aquela mulher forte empoderada representando a lei e o Estado. Nos dias atuais ainda existem muitos objetivos a serem alcançados, mas o que não falta é garra e coragem para esta mulher que, além de proteger a sua família, escolhe também proteger a sociedade”, completou Sabrina.

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