Homenagem
Morre personagem conhecido das ruas de Bagé
Publicado em 01/08/2020

Geral

Foto: Niela Bittencourt

Voz de Menezes silenciou em 22 de julho

Uma conhecida e simpática figura das ruas de Bagé morreu no último fim de semana, provavelmente, vitimada pela covid-19. Maurílio Fialho de Meneses, 72 anos, é um dos cinco bageenses, até o momento, que perderam a vida na esteira da pandemia por coronavírus.

Ele foi a óbito no dia 22 de julho e teve a confirmação do contágio pelo vírus Sars-CoV-2, no domingo, 26, quando o teste RT-PCR confirmou a infecção, porém, devido a diversas comorbidades, as autoridades da saúde informaram que não era possível confirmar que a morte foi, de fato, decorrente da doença.

Uma vida de música e histórias

Em matéria publicada nas páginas do jornal Folha do Sul, de 7 de abril de 2018, escrita pela repórter Niela Bittencourt, a jornalista ressaltava o carisma do artista de rua, que viveu por muitos anos pelas ruas da Rainha da Fronteira e cantava a tradição gaúcha. A voz de Meneses pode ter silenciado, mas a memória permanece. “Quem passava apressado pela avenida Sete de Setembro poderia deixar de notar personagens carismáticos, como o músico de 70 anos, Maurílio Fialho. Às vezes, é possível encontrar o idoso e toda sua vitalidade na esquina da Casa de Cultura - um dos locais mais propícios, seja pela proximidade com pontos de ônibus de diversas linhas ou, ainda, de várias lojas e lanches, o que motiva a intensa circulação de transeuntes”, enfatizava a matéria.

Dia a dia

Menezes, todo pilchado, cantava alguns sucessos da música gaúcha. Seu chapéu permanecia ao chão, onde o público podia depositar algum montante em dinheiro para ajudar o artista: “Ele relata que utiliza o resultado de suas empreitadas artísticas, pelas ruas de Bagé, para ajudar a pagar as parcelas de dívidas já negociadas. Como recebe, mensalmente, um salário mínimo (auxílio do governo), esta foi uma alternativa viável. Mas ele não se queixa disso, muito pelo contrário, fala sobre os sonhos com a mesma empolgação que lembra de sua história. Orgulhoso, conta que aprendeu o que sabe com o pai, que teve muitas profissões, mas que sempre viveu para a música, assim como ele. Seu primeiro instrumento foi um pandeiro, mas, hoje, é com o violão que faz música.  E ele afirma que gosta do que faz e que pretende gravar suas interpretações, assim como fez em 1986, na rádio Cultura. Um olhar mais atento às ruas pode ser a oportunidade para conhecer o talento de artistas como Menezes. E se o público não aprecia o estilo, pode ser presenteado com o sorriso de um brasileiro que busca viver daquilo que mais gosta”, destacava a reportagem de 2018.

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