Morre mestre Nonoca, um dos compositores do hino do Bagé
Publicado em 02/06/2020

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Foto: Divulgação/ Sheron Fotografia

Carnavalesco de notabilizou na bateria

Um dos mais conhecidos músicos e carnavalescos de Bagé, José Silva Farias (Nonoca), 70 anos, morreu ontem. De acordo com informação de um familiar, a morte foi por problemas cardíacos. Ele tinha diabete e era hipertenso.
Nonoca, que também era radialista, se notabilizou no meio carnavalesco e era ritmista. A veia musical era uma herança familiar, o pai tocava cavaquinho, o irmão contrabaixo. Torcedor jalde-negro, Nonoca foi um dos compositores do hino do Grêmio Esportivo Bagé.
A primeira bateria de samba que comandou foi a do bloco da Zebra. A partir dessa agremiação, foi criada a escola de samba Estrela D’Alva, da qual ele é fundador e também foi mestre. Após, trabalhou na Aliança e na Stangucha.
Além de ser mestre de bateria, Nonoca também se descobriu compositor. Escrevia e criava melodias de samba-enredo, que vendia para escolas de samba de Bagé e de outras cidades do Estado. “Eu já saio escrevendo e cantando o samba”, contou em uma entrevista ao jornal Folha do Sul em 2013.
O decano do carnaval em Bagé, o radialista e colunista do jornal Folha do Sul, Edgar Abip Muza, disse que a morte de Nonoca deixa uma lacuna. "Mestre Nonoca é mais um sambista que vai para o céu.  Ele viveu e incentivou como poucos a cultura sambista e o carnaval de Bagé. Além disso, também foi comentarista esportivo e sempre foi o exemplo de profissional que atuou sem vaidade. Nonoca era exímio sambista e um grande organizador da harmonia no samba. Vai nos fazer muita falta", falou.
Repercussão
Farias era um dos integrantes da Orquestra de Metais Rubens Veiga. Por meio das redes sociais, a direção da entidade se manifestou sobre a perda: “Tomados pela tristeza deixamos aqui o nosso agradecimento a este ícone da música bageense, que nunca exitou em compartilhar seu conhecimento, dando oportunidade a muitos músicos da região, em suas baterias vibrantes e suas bandas de carnaval”.
O idealizador do Galo Caixeiro, Antônio Flávio Ávila Soares, escreveu: “Galo Caixeiro triste com a partida do mestre Nonoca. Descansa em paz, amigo”.
Amigo de Nonoca, o vereador Carlinhos do Papelão (PTB) falou sobre a morte do músico: “Foi com imensa tristeza que a família “Aqui Agora e Águia da BX” recebeu a notícia do falecimento do nosso amigo e mestre José Silva Farias (mestre Nonoca). Vai em paz, Nonoca. Que Deus conforte o coração de todos os familiares e amigos”.

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Entrevista ao jornal Folha do Sul
Na edição do dia 14 de fevereiro de 2013, Nonoca concedeu entrevista a jornalista Niela Bittencourt.  José Silva Farias, falou sobre a vida e em especial sobre a música. Ao mencionar que a veia musical era herança de família, ele declarou: “Eu acredito no sangue. Isso é extraordinário”.
Quando tinha 16 anos, Nonoca foi estudar com o maestro da orquestra do quartel, os estudos duraram dois anos e despertam a sensibilidade musical. Ele contou que a chegada até o escalão mais alto da bateria foi rápida, pois tocou por três ou quatro anos, antes de se tornar mestre. “A minha sensibilidade se aflorou e eu fui para frente dos músicos”, disse. 

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