Morre ex-combatente da Segunda Guerra Mundial
Publicado em 30/06/2020

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Foto: Arquivo/FS

João Francisco da Silva morreu aos 96 anos

João Francisco da Silva, 96 anos, morreu na noite de domingo, após lutar contra um câncer. Dos 33 pracinhas bageenses que retornaram da Segunda Guerra Mundial, o ex-combatente era o único que estava vivo. Ele foi velado no Hospital Militar e, após, sepultado no cemitério do Azevedos. A homenagem ocorreu pelas ruas da cidade e o registro, disponível nas redes sociais do jornal Folha do Sul, emocionou os leitores. Muitos destacaram que ele foi um verdadeiro guerreiro e que, em Bagé, deveriam ser erguidas estátuas em homenagem aos 33 pracinhas. Outros frisaram que, além do exemplo, ficam as grandes histórias. 

Parte da história de João Francisco da Silva já foi contada nas páginas da Folha. Por vezes, a reportagem encontrava o ex-combantente em eventos do Exército, onde sempre era reverenciado. Conforme uma das últimas reportagens publicadas sobre o pracinha, em 1944, na época, com 20 anos de idade, João Francisco serviu à pátria no antigo Regimento de Cavalaria, atual 3º Batalhão Logístico (3º Blog), e foi voluntário para ingressar na Força Expedicionária Brasileira (FEB). Na época, disse à mãe e às irmãs que havia sido convocado pelo time de soldados para jogar futebol em Rio Grande e no Rio de Janeiro. 
Diante de tal afirmação, o padrasto, desconfiado, seguiu o jovem até a Estação Ferroviária de Bagé, quando descobriu que o destino de João Francisco era, na verdade, a Segunda Guerra Mundial. De trem, o jovem foi até Rio Grande e, de navio, até o Rio de Janeiro, onde ficou três meses em treinamento e após 15 dias e 15 noites no oceano Atlântico, enfim desembarcou em Nápoles, na Itália. 

O Brasil foi o único país da América Latina que participou diretamente dos conflitos bélicos na Europa. Cerca de 25 mil soldados da FEB foram enviados ao norte da Itália para lutar junto ao Exército americano. A participação do Brasil nesse momento histórico foi decisiva para a vitória aliada. Em 2 de julho de 1944, o primeiro escalão da FEB partiu rumo ao Teatro de Operações da Itália, desembarcando em Nápoles no dia 16. Após um curto período de instrução na Itália, as necessidades da Guerra impuseram ao Brasil uma entrada prematura na frente de batalha, em Camaiore, onde teve seu batismo de fogo. Uma das lutas mais emblemáticas para os brasileiros foi a tomada do Monte Castelo. Os duros combates resultaram para a FEB quase 400 feridos e 34 mortos.

A 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada emitiu uma nota sobre a morte do ex-combatente e destacou sua atuação: "Em território inimigo, demonstrou o valor do soldado brasileiro, perpetrando atos de bravura e coragem, atos estes, que inclusive salvaram vidas de compatriotas". O Exército ainda ressaltou a família que o pracinha constituiu em Bagé, "deixando o legado de sete filhos"; e o fato de ter atuado durante 12 anos no Hospital de Guarnição. "Deixará saudade sua presença constante nos palanques das formaturas desta Brigada de Cavalaria. Nossa última continência ao herói bageense senhor João Francisco", disse.

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