Ministro da Saúde está pendurado no pincel
Publicado em 03/02/2020

Social


 Homem público tem que se cuidar. Principalmente quando sua relação com a imprensa não for das melhores. Qualquer deslize o bicho pega. A matéria que vamos transcrever do CB (Correio Brasiliense) dá ideia sobre a possível falta de cuidado do presidente da República. Mas também pode ter sido ‘proposital’, com o objetivo de denegrir, ainda mais, a imagem do ministro da Saúde. Desconfiado, tanto quanto eu,  analisa os efeitos de cada declaração. O fato e a foto foram tirados no dia do ‘sim’ da Regina Duarte aceitando o cargo de secretária Especial da Cultura. Leiam a Manchete do JB: “Fotos da presidência mostram suplemento proibido na mesa de Bolsonaro”. Diga-se de passagem que na solenidade em que Regina aceita o cargo, estiveram presentes alguns ministros, menos o da Saúde. A foto é de Marcos Correa/PR. Não sei se é componente da assessoria de imprensa do Palácio ou de algum jornal autorizado a cobrir a solenidade. JB informa que a foto foi divulgada no site da presidência da República. Então vamos à matéria: "Fotiradas na quarta-feira mostram, sobre a mesa de Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, um frasco de Moringa Oleifera, suplemento alimentar proibido no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 
O produto é feito à base de uma planta do mesmo nome, nativa do norte da Índia. Segundo sites na internet, a substância tem eficácia no tratamento de uma série de doenças, entre as quais depressão e diabetes. Procurado para comentar o assunto, o Planalto não respondeu. Os registros fotográficos foram feitos durante a reunião, na quarta-feira, um dia após o presidente ter retornado da Índia.  Também estavam presentes os ministros da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro; da Segurança Institucional, Augusto Heleno; e do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio; da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, além do secretário de Comunicação do Planalto, Fábio Wajngarten.T
ambém conhecida como “árvore milagrosa”, a Moringa Oleífera é apresentada em diversos sites na internet como rica fonte de nutrientes, aminoácidos, antioxidantes, propriedades antienvelhecimento e anti-inflamatórias. É indicada para prevenção e tratamento de problemas de saúde, como depressão, câncer, diabetes, hemorroidas, absorção de colesterol no intestino, indisposição e falhas no funcionamento do aparelho digestivo, entre outros. 
Em 3 de junho do ano passado, a Anvisa baixou a Resolução-RE nº 1.478, determinando ‘a proibição de comercialização, distribuição, fabricação, importação e propaganda de todos os alimentos, em todas as formas de apresentação, que possuem Moringa Oleifera em sua composição, uma vez que não há comprovação de segurança de uso desse vegetal em alimentos’. A proibição se estende ao uso do insumo  para fabricar alimentos”. Essa é a matéria que, por descuido ou proposital, foi divulgada no site da presidência. Ora bolas, dá margem para desconfiar. Ou querem culpar o ministro da Saúde, que está na corda bamba após muitas críticas, entre as quais do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ou o presidente está mandando o ‘recado’ à Anvisa para que suspendam a proibição. Também devemos levar em consideração que em sua ida à Índia, seus assessores ‘foram convencidos da eficiência do produto, fabricado e consumido pela população daquele país’. E aqui vai mais uma pimenta no mocotó político: O CB consultou a Anvisa sobre a validade da proibição. Resposta: “Após a análise das informações recebidas por meio do Chamamento Público, não foi possível atestar a segurança da Moringa como alimento. Sendo assim, permanece mantida a ‘proibição’ da substância. O órgão respondeu outra pergunta formulada pelo jornal: Caso alguém viajasse ao exterior e voltasse ao Brasil trazendo a substância para uso pessoal, o que poderia acontecer? “O produto, por ser derivado de uma planta, poderia ser apreendido na alfândega, se fosse flagrado por funcionários do Ministério da Agricultura”. Conclusão da coluna, apenas usando á lógica: Se é usado na Índia, aprovado pelas instituições médicas de lá, porque é proibido no Brasil? Ai deve entrar a concorrência da Indústria farmacêutica. Em minha mente surge outra proibição da Anvisa, quando foi criada uma “pílula” contra o câncer descoberta por um técnico brasileiro. Mesmo as declarações de pacientes que haviam usado o medicamento, comprovando sua eficiência, não foi aprovado pelo órgão oficial brasileiro. É claro que a imprensa também abordou a “pressão da poderosa industria farmacêutica”. Vamos aguardar os acontecimentos para comprovarmos, ou não, nossa desconfiança. ‘Aí tem’. Ou não?  
 

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