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Publicado em 17/11/2012

Esportes

Foto: ABPV/Especial FS

Branco (o último em pé, da esquerda para a direita) participou da campanha do tetra

Bageensidade na história dos 1000 jogos
Embora existam controvérsias a respeito dos números, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) comemorou festivamente, no 1x1 contra a Colômbia, em Nova Jersey, os 1000 jogos da Seleção Brasileira. E Bagé está presente nesta história marcante. Vários foram os futebolistas aqui nascidos que atuaram e vestiram a camisa amarela ou azul, inclusive em várias Copas do Mundo. E com direito a conquista do título mundial, em 1994, nos Estados Unidos, pelo lateral Branco.
Anníbal Médici Candiota, um meio-campo de grande talento, era bageense, nascido em 14 de junho de 1900. Surgiu no Guarany, transferindo-se depois para o Cruzeiro de Porto Alegre e também brilhou com a camisa do Flamengo do Rio de Janeiro. Pela Seleção Brasileira, disputou a Copa América de 1921, marcando dois gols. Retornou a Bagé, foi proprietário do Hotel Brasil (onde hoje está instalada a agência do Banco do Brasil) e faleceu na terra natal, em 15 de outubro de 1949.
Severino Franco da Silva, o atacante Lagarto, nasceu em Bagé, no dia 16 de julho de 1989. Começou a carreira no Guarany, jogando depois pelo Grêmio Porto Alegrense e Fluminense do Rio de Janeiro. Jogou o campeonato brasileiro de seleções pelo Rio Grande do Sul e o então Distrito Federal (Rio de Janeiro). Pela Seleção Brasileira, disputou o campeonato sul-americano de 1925, na Argentina, jogando ao lado do extraordinário Friedenrich, considerado o maior goleador brasileiro de todos os tempos. Lagarto marcou cinco gols. Pecuarista, morreu no dia 5 de março de 1972, em Porto Alegre, sendo sepultado em Bagé.
Octacílio Pinheiro Guerra, zagueiro, nascido em Bagé, em 21 de novembro de 1900, jogou pelo Guarany, Rio Grande e Botafogo do Rio de Janeiro. Fez parte da Seleção Brasileira, inclusive disputando a Copa do Mundo de 1934, na Itália. Segundo os dados da CBF, Octacílio jogou 12 vezes pela Seleção, marcando um gol. Sua morte ocorreu em 22 de julho de 1967, no Rio de Janeiro, onde residia.
Martim José Mércio Silveira foi outro extraordinário meio-campista. Nasceu em Bagé, em 21 de abril de 1911, jogou pelo Guarany de 1927 a 1930, atuando ainda pelo Botafogo do Rio de Janeiro e Boca Juniors (pelo qual foi campeão argentino em 1933, jogando ao lado do famoso zagueiro Domingos da Guia). Foi treinador do Botafogo do Rio e do antigo Canto do Rio de Niterói. Disputou as Copas do Mundo de 1934 e 38, tendo falecido no Rio de Janeiro, em 10 de agosto de 1972.
Raul Donazar Calvet, bageense, nascido em 3 de novembro de 1934, começou a carreira como ponteiro-direito, no Bagé. Depois, se transferiu para o Guarany, como centromédio, posição pela qual chegou ao Grêmio Porto Alegrense, onde foi transformado em quarto-zagueiro. Vendido ao Santos, fez parte do grande time de Pelé & Cia, bicampeão mundial interclubes em 1962/63. Já havia atuado pela Seleção Brasileira que, representada pelo Rio Grande do Sul, disputou o Pan-americano de 1960, na Costa Rica. Depois, como jogador do Santos, várias vezes vestiu a camisa canarinho. Encerrou a carreira no Santos e voltou a Bagé, onde foi treinador e presidente do Guarany. Sua morte ocorreu em Porto Alegre, no dia 29 de março de 2008, sendo seu corpo cremado.
José Ernâni da Rosa, o Tupanzinho, meia, bageense, nasceu em 28 de outubro de 1940. Começou a carreira no Bagé, foi negociado em 1961 com o Guarany e, dois anos depois, já estava na Sociedade Esportiva Palmeiras de São Paulo. Em 1965, o Palmeiras (treinado pelo argentino Filpo Nunez, o único estrangeiro a comandar o time da CBF) representou a Seleção Brasileira na vitória de 3x0 contra o Uruguai, no Mineirão, pela Copa Rio Branco. Os gols foram de Tupanzinho, Servílio e Germano. O grande craque atuou também pelo Grêmio Porto Alegrense e Nacional de Manaus. Morreu em São Paulo, em  17 de fevereiro de 1986 e, três anos depois, seus restos mortais foram trazidos para o Cemitério da Santa Casa de Caridade de Bagé.
Saul Santos Silva, o Saulzinho, bageense, nasceu em 31 de outubro de 1937. O atacante começou a carreira em 1955, passando para o Guarany, que, no início de 1961, negociou seu passe com o Vasco da Gama. Foi o principal artilheiro do campeonato carioca de 1962, com 18 gols, No início de 1966, foi convocado para a Seleção Brasileira que, representada pelos gaúchos e treinada por Carlos Froner, disputou dois jogos contra o Chile, em Santiago e Viña del Mar, pela Copa Santiago O`Higgins, ganhando por 1x0 e perdendo por 2x1. O time-base era formado por Arlindo, Altemir, Ari Hercílio, Áureo e Sadi; Cléo e Sérgio Lopes; Babá, João Carlos, Davi (Saulzinho) e Volmir (Vieira). Advogado, reside em Bagé.
Cláudio Ibraim Vaz Leal, o Branco, nasceu em Bagé, em 4 de abril de 1964. O lateral surgiu no Bagé e, ainda como amador, foi para o Guarany. Em 1982, foi negociado com o Fluminense do Rio de Janeiro, para as categorias de base. Mas, numa ascensão impressionante, não tardou em ser profissionalizado, conquistando vários títulos. Defendeu vários outros clubes brasileiros, como Grêmio, Internacional, Corinthians Paulista, Flamengo, Mogi Mirim (SP). No exterior, atuou na Itália (Bréscia e Gênova), Portugal (Futebol Clube do Porto) e Estados Unidos (Metro Stars). Foi coordenador técnico do Fluminense, diretor das categorias de base da CBF e treinador do Figueirense de Florianópolis. Reside no Rio de Janeiro.
Ainda existe o caso do porto-alegrense André Luís Garcia, que veio ainda criança para Bagé. O quarto-zagueiro surgiu no Guarany, passando depois por uma série de clubes, como Santos, Botafogo, Fluminense, Cruzeiro de Belo Horizonte, Portuguesa de Desportos, Grêmio Barueri; em Portugal, pelo Benfica, e, na França, pelo Olimpique de Marselhe. Em 2000, participou da Seleção Brasileira Pré-Olímpica, sob o comando do treinador Vanderlei Luxemburgo. Disputou três jogos e marcou um gol na vitória de 5x3 contra o Chile, em Santiago.

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