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Mateada reúne familiares e amigos na conscientização sobre autismo
Publicado em 21/01/2020

Geral

Foto: João A. M. Filho

No local, também foram feitos cadastros para carteirinha de identificação

Pais, mães, amigos e integrantes da Associação Janelinha para o Mundo compareceram no domingo à praça das Carretas para rodas de conversa e troca de experiências sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O forte calor não impediu o grupo de apreciar o fim de tarde tomando um mate na praça, enquanto as crianças brincavam e corriam à volta dos participantes.

Uma das coordenadoras do grupo, Ana Elisa Pacheco, mãe de um menino autista, disse que o grupo recebeu muitas pessoas que tinham dúvidas sobre o tema: “São amigos, parentes e pais que desconfiam de que uma criança possa ser portadora. Por isso, sempre orientamos a encaminhar essas crianças a entidades especializadas na avaliação, como Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e Caminho da Luz”. No local, além de poder adquirir erva-mate, participar das rodas de conversa e buscar informações sobre o tema, também eram recebidas as documentações para confecção da carteirinha de Identificação para autistas, que garante preferência no acesso a diversos serviços públicos prioritários.

Cristiane Moreira, que se integrou ao grupo desde que os pais começaram a se mobilizar para ajudar os filhos a buscar diagnóstico e tratamento, destacou que a luta pelos direitos, preconceito e a inclusão também são temas bastante abordados durante os encontros: “As pessoas precisam entender que não é nenhuma vergonha que um familiar seja autista. É preciso compreender e ajudar”.

O depoimento da professora Rita Martins, mãe do Antony Valério Martins, de 6 anos, diagnosticado autista desde os 3, ressalta a importância de que o tratamento seja iniciado tão logo se tenha certeza do diagnóstico. “Esta é uma luta que não termina nunca. Estamos sempre em busca de meios para melhorar a socialização e comunicação da criança. Hoje, o Antony é atendido por dois fonoaudiólogos, faz equoterapia, hidroterapia; também é atendido por terapeuta ocupacional e psicóloga. Tudo isso ajudou muito no processo de socialização dele”, relatou.

Segundo Rita, ter a compreensão e importância de que o autista não é uma pessoa doente, mas que precisa de atenção especial em alguns aspectos do desenvolvimento é primordial, principalmente para que os pais possam ajudar a criança a ter pleno desenvolvimento. “O fato de ser professora me deu a experiência de lidar com essa situação dentro da sala de aula e também agora, em casa. Por isso, quando iniciei a investigação para o Antony, ele tinha 2 anos de vida, corri atrás de toda ajuda que pudesse conseguir para ele. Tenho certeza que sem as terapias, ele não teria se desenvolvido da forma como está hoje. Por esta razão, digo que é muito importante que os pais tentem se envolver na busca por terapias e que seja combatida a desinformação e o preconceito. Isso vai se refletir no futuro da vida social e profissional. Lutar pelos direitos deles é importante para que cada vez mais os autistas sejam respeitados e reconhecidos pela sociedade”, disse.

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