Máscara no rosto, força na economia
Publicado em 20/05/2020

Opinião

Foto: Divulgação/FS

Deputado estadual

Proteger a vida e manter os setores da economia em atividade. Estes são os objetivos do projeto de lei, que protocolei na semana passada, na Assembleia Legislativa, que propõe o uso de máscara facial como requisito essencial para o ingresso e permanência de pessoas em lojas do varejo, prestadoras de serviços e nos ambientes industriais do Rio Grande do Sul.

A proposição complementa o recente decreto estadual, que versa sobre o mesmo tema, mas não especifica responsabilidades em caso de descumprimento, deixando margem, inclusive, para discussão em torno da aplicação do artigo 268 do Código Penal. Defendo que a competência de fiscalização seja dos proprietários dos estabelecimentos da iniciativa privada, que, desta forma, terão amparo legal para exigir que os clientes zelem pela não proliferação do novo coronavírus e ajudem a prevenir o retrocesso da suspensão das atividades econômicas. Evidencia-se a sanção administrativa - e não penal - ao estabelecimento que permitir o ingresso de pessoa sem o equipamento de proteção individual.

Importante ressaltar que a própria Organização Mundial da Saúde entende que o simples uso de máscaras não irá prevenir por completo o contágio do novo coronavírus e os efeitos da covid-19. Assim como esta respeitada instituição internacional de saúde, pondero que é preciso desenvolver estratégias de comunicação e promover o debate sobre o tema para explicar à população as circunstâncias, critérios e razões para a adoção da medida.

Desde o período inicial da pandemia, defendo que o comércio volte a funcionar e que as fontes de emprego e renda também sejam preservadas nas áreas de indústria e prestação de serviço. Entendo que sem trabalho haverá colapso social e econômico, capaz de afetar a saúde física, mental e emocional da população gaúcha.

Na segunda semana do sistema de Distanciamento Controlado, o Rio Grande do Sul tem predomínio da bandeira laranja. Isso representa risco médio de propagação do vírus e capacidade real de atendimento na rede pública às pessoas infectadas. Desta forma, com restrições e cumprimento dos protocolos exigidos, o comércio poderá reabrir as lojas na maioria das cidades. Estamos no caminho certo. Diante de evidências científicas e critérios técnicos adotados para adoção da medida, é possível afirmar que hábitos de higiene e a conscientização de empresários, trabalhadores e consumidores, ajudaram na redução de 6,08% no número de pessoas infectadas no último período.

O momento exige ações concretas para proteger a saúde coletiva e não permitir que os negócios que fazem girar a roda economia desapareçam e deixem famílias desamparadas, sem os recursos mínimos necessários para a sua sobrevivência.

Ao apreciar este projeto de lei e deliberar sobre o tema, com o apoio da imprensa, reitero que o parlamento gaúcho oferece importante contribuição nesta fase em que a saúde e a economia precisam ser aliadas da vida. O Rio Grande do Sul não pode parar.

Deixe sua opinião