Dia Internacional da Mulher
Lugar de mulher é onde ela quiser
Publicado em 07/03/2020

Segurança

Foto: Divulgação/FS

Alba Valéria de Menezes Costa Manzzini

Neste domingo é celebrado o Dia Internacional da Mulher. Embora já tenham ocorrido muitas conquistas direcionadas ao público feminino, como a Lei Maria da Penha, muito ainda tem de ser feito. O importante é que elas estão, cada vez mais, conquistando seus espaços no mercado de trabalho. Parece um pouco repetitivo, mas não custa enfatizar que “lugar de mulher é onde ela quiser”. Neste mês, o Folha do Sul, especificamente a editoria de Segurança, fará homenagens a mulheres que se destacam e atuam na área de combate ao crime, investigações, policiamento, justiça, entre outras. 
A ideia de criar o Dia da Mulher surgiu no final do século XIX e início do século XX nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas femininas. No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram no início do século 20, com grupos que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 1930, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970, emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher.

Nesta edição, quatro mulheres serão homenageadas. Contudo, nos próximos dias, mais cases serão apresentados. É uma forma de reverenciar e homenagear mulheres lutadoras, que buscaram e conquistaram seus espaços.


Alba Valéria de Menezes Costa Manzzini, de 34 anos, é bacharel em Direito e foi soldado da Brigada Militar por 10 anos. Há dois anos e nove meses, Alba Valéria é inspetora da Polícia Civil. Ela, que começou a carreira na Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA) de Canoas, atualmente está no plantão da DPPA de Bagé. 
Para ela, ser policial é gostar muito daquilo que faz, pois nessa atividade cada dia é um desafio. “Chegamos para trabalhar sem saber o que vamos encontrar; a cada momento está surgindo situação em que devemos tomar uma decisão em questões de segundos, que irá repercutir e causar consequências para o resto da vida de uma pessoa. O número de mulheres que ingressam na atividade policial está cada vez maior, demonstrando que independentemente do sexo, o que importa é a capacidade, a responsabilidade e o comprometimento com aquilo que fomos destinadas a fazer. Devemos confiar no nosso trabalho. Inclusive, como exemplo bem claro disso, a Polícia Civil, hoje, esta sob a chefia de uma mulher”, declarou.

Maura Caldas Rodrigues, de 32 anos, ingressou na Brigada Militar, em junho de 2008, em Montenegro. É formada em Tecnologia de Recursos Humanos, pela Faculdade Anhanguera e cursa pós-graduação em Inspeção e Supervisão Escola, pela Faveni. 
Maura já atuou no 28º Batalhão de Polícia Militar (28º BPM) de Charqueadas; no policiamento ostensivo (na época Pelotão de Operações Especiais); na Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Sargentos - (EsFAS/ Santa Maria), na sessão de ensino e em Bagé; no 6º Regimento de Polícia Montada; no policiamento ostensivo; Pelotão de Operações Especiais, Seção Administrativa P1 e Comunicação Social; na Sala de Operações, no Proerd e no Pelotão Mirim. 
“Na função policial militar acredito que as mulheres trazem sensibilidade às ações. Mesmo rodeadas de homens temos que impor respeito, seja no atendimento de ocorrências, no policiamento ostensivo, junto à comunidade, ou até mesmo ministrando aulas do Proerd para as crianças e jovens do nosso município. O maior desafio é ter que provar a nossa competência aos que ainda acreditam que ser policial ‘não é coisa de mulher’. Além de tudo isso, ainda somos mães, esposas e filhas”, disse.

Letícia de Sousa Vidal, de 40 anos, está na Brigada Militar desde 2003. Hoje, atua na Polícia Rodoviária Estadual (PRE) desde novembro de 2019.  A policial já trabalhou na Sala de Operações, Pelotão de Operações Especiais (POE), atualmente denominado Força Tática, na guarda externa do Presídio Regional de Bagé, no policiamento ostensivo, entre outros. 
“Ser policial é ter desafios diários. Cada setor tem sua peculiaridade e missões específicas, mas sempre tentamos realizá-las da melhor maneira possível. É sairmos de casa sem ter mos a certeza de voltarmos, pois não sabemos o que vai acontecer. Mas é a profissão que escolhi e tenho muito orgulho em vestir a farda que meu pai honrou por 30 anos; sempre vivi nesse meio desde criança. Acredito que ser mulher não me diferencia em nada do masculino. Para mim, só soma, porque somos mais cautelosas”, salientou. Hoje, Letícia faz parte do 2º Batalhão Rodoviário da Brigada Militar.


Suelen Oliveira, de 36 anos, é formada em Licenciatura em Letras e há cinco anos e meio é escrivã da Polícia Civil. Já trabalhou nas cidades de Herval e Dom Pedrito. Atualmente, Suelen desempenha suas funções na Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA) de Bagé.
“Acredito que existem pessoas vocacionadas e penso que a atividade policial exige um grau de comprometimento diferenciado.  O risco é sempre iminente e nossa profissão exige que tenhamos sempre o equilíbrio para lidar, mesmo quando sob estresse, com as mais diversas situações. Ingressei na Polícia Civil em um momento em que as mulheres já não são tão raras na instituição. Cada vez mais vemos colegas mulheres se destacando, apresentando um excelente trabalho e demostrando que não têm nada a dever a colegas homens. Percebo que, cada vez mais, as mulheres têm conquistado espaço na Polícia Civil e demostrado toda sua capacidade. Atuamente, o que evidencia isso muito bem é o fato de termos uma mulher chefiando nossa instituição. Para mim, é motivo de muita satisfação pertencer à Polícia Civil gaúcha”, disse.

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