ENCÍCLICA LAUDATO SI
(Louvado Sejas)
Publicado em 06/06/2020

Opinião

Em 2015, fomos presenteados pelo Papa Francisco com uma encíclica chamada “Laudato Si” (Louvado Sejas), uma expressão muito usada por São Francisco de Assis, que viveu de 1182 a 1226.  Essa preciosa obra de Francisco aborda a dimensão socioambiental da fé e da evangelização. Com a encíclica, a Igreja Universal entra no século XXI assumindo, de forma apaixonada e comprometida, a defesa integral e integrada da criação: propõe a conversão ecológica no relacionamento da humanidade com os demais seres criados. 
O ano de 2020 deixará uma marca definitiva na história da humanidade e do planeta Terra. A pandemia da covid-19, que dizimou tantas vidas humanas, afetou todos os ritmos e as dinâmicas de produção, consumo, acumulação e desperdício que marcaram a economia-mundo nos últimos séculos. Aconteceu o que parecia impossível, parar a máquina produtiva. Mas a pandemia não é um simples acidente de percurso na história socioambiental do nosso mundo globalizado. Ela é o resultado de um conjunto de opções feitas ao longo dos últimos anos, que vulnerabilizam os corpos humanos, com alimentos cada vez mais processados e dependentes do uso intensivo de agrotóxicos e pesticidas; conectadas a um modo de produção e consumo que desmata, polui e aquece o planeta, que também empobrece uma parte crescente da humanidade.
Os últimos 40 anos foram de aprofundamento da desigualdade relativa e mesmo, crescentemente, absoluta. Os pobres não ficaram apenas mais pobres em relação aos ricos, mas também em relação a eles mesmos no passado. Com isso, o drama da fome deve aumentar tremendamente nos próximos meses, em função da crise econômica que se avizinha. Relendo a Laudato Si’ em tempos pandêmicos, percebemos toda sua intensidade profética. Como nos alertou o papa Francisco: “É impossível sermos saudáveis em um planeta doente”.
Na encíclica, o papa Francisco convoca o mundo inteiro para reflexões e ações sobre o tema da Ecologia Integral: “com efeito, sabemos que toda a criação, até o presente, está gemendo como que em dores de parto” (Rm 8, 22).
Partindo de uma impactante visão da realidade, que aborda o que está acontecendo com nossa casa comum: poluição, mudanças climáticas, questão da água, grave perda da biodiversidade, revela que “hoje, a análise dos problemas ambientais é inseparável da análise dos contextos humanos, familiares, laborais, urbanos, e da relação de cada pessoa consigo mesma, que gera um modo específico de se relacionar com os outros e com o meio ambiente” (LS, 141).
É urgente uma conversão que seja capaz de construir uma nova cultura, pautada na vida dos seres humanos e do meio ambiente. Para isso, o princípio do bem comum e da solidariedade torna-se o horizonte de construção de uma nova civilização. Trata-se de um longo processo que deve contar com a colaboração de lideranças políticas e religiosas de todo mundo, envolvendo uma conversão tanto individual quanto coletiva.
    O documento “Querida Amazônia”, sobre o grande trabalho do Sínodo de 2019, reflete a continuidade e a urgência de levar a sério a Laudato Si’, não somente em âmbito eclesial, mas de igual modo nas responsabilidades políticas de todas as nações para com o mundo que vivemos.

Fraternalmente!

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