Linha tênue
Publicado em 25/11/2015

Editorial

Os atuais cenários nacional e internacional – e mesmo local – vêm comprovando que vivemos em um período incrivelmente tenso.  Cada um em função de motivos específicos.
No Brasil, a pauta principal continua sendo a política, mesmo o país tendo sido atingido por uma das maiores catástrofes ambientais de sua história. Tudo, mas tudo mesmo, é culpa de alguém. Ou pelo menos esse é o discurso que vem sendo defendido e repetido nas redes sociais. E não que os acusadores não estejam certos, até porque os fatos, muitas vezes, vêm se comprovando nesse sentido. Mas a questão é que as manifestações contrárias aos governos – e mesmo as de defesa – acabaram se proliferando tanto que já passaram de uma raridade para um ato natural do cotidiano canarinho.
No âmbito mundial, por sua vez, o planeta mostra sinais de uma possível e iminente terceira grande guerra. E, mais uma vez, o motivo aparenta ser a religião. Uma pena, é claro, para uma sociedade que demonstrava estar um pouco mais perto do entendimento e respeito mútuos.
A questão chave é que, nos dois cenários, todo o debate de opiniões e proliferação de informações acabam se difundindo nas redes sociais. E, isso, em uma breve análise, poderia ser apontada como salutar – ao menos em tempos passados. Já na atualidade, o excesso de alguns – diga-se, de poucos –, ao invés de amenizar certos debates e auxiliar na obtenção de respostas concretas, só serve mesmo para colocar “lenha na fogueira”.
O preocupante é que, muito disso parte de um pré-conceito sobre determinado assunto. Há pouca informação, mas muita opinião. E, ainda, às vezes, revolta em demasia. A colunista Andréa Muller, na edição de segunda-feira, apresentou o conceito de “deboísmo”, que, na prática, consiste em uma pessoa que, mesmo discordando de opiniões alheias, não ataca. Pode-se dizer, assim, que os “deboístas” devem ser as pessoas mais felizes do momento. E não porque não se envolvam em acaloradas discussões, mas porque evitam ultrapassar a linha tênue em que todo um movimento perde sentido por partir para a violência, para a acusação infundada.
O país precisa de movimentos articulados, sim, para que o atual cenário econômico mude para melhor. O mundo precisa evitar novos ataques contra inocentes, mas, se possível, sem dar início a um novo conflito.  Para isso, porém, precisamos muito mais de diálogo do que de ataques.

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