Lideranças de Bagé avaliam oscilação do setor no governo federal
Publicado em 23/05/2020

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Foto: Divulgação/FS

"O problema é que o governo sabe o que quer, mas não sabe como fazer isso", argumenta Gladimir Aguzzi

Desde o início deste ano, a Secretaria Especial da Cultura é alvo da atenção de todos. Isso porque, ainda em janeiro, a atriz Regina Duarte assumiu a pasta. Após alguns meses e uma série de declarações que impactaram o meio artístico, sua saída foi anunciada pelas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro. Segundo o presidente, o desligamento foi um pedido da própria atriz, que gostaria de ficar mais próxima da família. Assim que o anúncio foi feito, as especulações de um novo nome para a secretaria já começaram. A principal delas e que vem ganhando cada vez mais força é do também ator Mário Frias. Até o fechamento desta edição, a nomeação do profissional não havia sido confirmada oficialmente, mas ele já se manifestou nas redes sociais confirmando a possibilidade. Em meio a este cenário, a reportagem do jornal Folha do Sul entrevistou alguns agentes culturais de Bagé, que comentaram as mudanças na pasta.
Para a ex-secretária de Cultura, a artista plástica e diretora da Casa de Cultura Pedro Wayne, Heloísa Beckmann, esta é uma pasta muito importante e que requer alguém que possua amplo conhecimento. “A cultura requer uma pessoa com amplo conhecimento das diversas manifestações culturais existentes no país. Também deve ser alguém que consiga agregar aos segmentos culturais e artísticos. Aguardamos com ansiedade o novo nome que deve assumir a secretaria e que essa pessoa consiga acertar o compasso”, manifesta Heloísa.
O diretor e ator do grupo “Os Carlitos”, Michel Godinho, não demonstra otimismo com as mudanças. Para ele, o atual governo não olha diretamente para a cultura  e os grupos fomentadores do interior do país. Sobre Regina Duarte, ele afirma que a atriz não fez nenhum projeto de efeito que contemplasse a classe. “Sua saída era esperada e nada surpreendente. Sinceramente, eu torço para que o próximo a assumir tenha este cuidado que toda a história cultural viva deste país clama tanto, porém, infelizmente, não enxergo que haja alguma esperança com a chegada de alguém que realmente venha se preocupar com um bem tão precioso e tão essencial  ao ser humano: a cultura de um país”, argumenta.

A secretária de Cultura e Turismo do município, Anacarla Oliveira, acredita que o governo federal deveria ter escolhido para a pasta alguém com maior conhecimento técnico da questão. “Sempre admirei a Regina Duarte como  atriz, mas, infelizmente, como gestora da Cultura foi péssima. Muito disso foi o reflexo do governo federal, que não se preocupou em colocar uma pessoa técnica nessa área. Ela demonstrou toda falta de preparo e desconhecimento do assunto”, lamenta a secretária.
O dramaturgo, roteirista e colunista do jornal Folha do Sul, Gladimir Aguzzi, aponta que o governo tem uma intenção definida, mas não sabe como colocá-la em prática. “O governo brasileiro quer dar uma “guinada à direita” na cultura brasileira, dominada e espezinhada pela esquerda fútil. O problema é que o governo sabe o que quer, mas não sabe como fazer isso. Regina Duarte não teve condições emocionais para essa missão. A turma da esquerda ainda não entendeu que não é dona das regras de como fazer e o que é arte e cultura. Aliás, a esquerda nacional faz uma cultura “fake” e a sua cultura é a sua cara, salvo honrosas exceções”, defende.

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