Indígenas: Muito mais que uma questão cultural é humana
Publicado em 05/06/2019

Editorial

Pobreza, preconceito ou não intromissão em uma cultura? Essas são palavras que devem ser refletidas, porém despidas de retóricas acadêmicas e conceitos culturais, quando se trata de famílias indígenas que estão pelas ruas de grandes e pequenas cidades. E em Bagé não é diferente, essa é uma realidade que passou a fazer parte do cotidiano de quem trafega pela avenida principal da Rainha da Fronteira. Em algumas quadras, lá estão mães com crianças pequenas expostas ao clima rigoroso dessa época. E, para piorar, muitos deles dormem amontoados na rodoviária, o que acaba causando transtorno não só para eles como para quem tem que viajar.
Não são raros os relatos de quem vai viajar e se depara com essa situação na rodoviária que, com certeza, não é o local adequado para abrigá-los. O assunto, como não poderia deixar de ser, foi tema de duas reportagens do Jornal Folha do Sul. Na primeira, um antropólogo fez uma análise da cultura e modo de vida das famílias nômades que estão nas cidades. Depois, em função das baixas temperaturas, levando em consideração as crianças menores e bebês, a reportagem ouviu representantes de órgãos oficiais sobre o que poderia ser feito para amenizar a situação deles, tendo em vista o clima impiedoso. Enquanto muita gente fica sensibilizada perante a situação das crianças, outros usam como retórica a questão cultural e, por consequência, pregam a não intromissão no estilo de vida dessas famílias. No entanto, muito mais que cultural, é questão humana; um gesto solidário, levando em consideração os menores expostos as intempéries. Eles não têm culpa e nem noção, apenas sentem a crueza do inverno rigoroso. Foi com esse caráter humano que jovens da Capelania Militar resolveram encabeçar uma campanha que tem por objetivo arrecadar cobertores para as famílias indígenas. Que não seja o preconceito nem a desculpa de não intromissão na cultura deles, que impeça os bageenses de um gesto solidário.

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