Ibama explica que gestão da fauna é de responsabilidade do Estado
Publicado em 04/05/2013

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Foto: Divulgação/FS

Macaca resgatada pelo NBPA irá para universidade de Pelotas

por Niela Bittencourt

A repercussão da matéria sobre a macaca resgatada pelo Núcleo Bageense de Proteção aos Animais, após seu aparecimento em uma casa, no centro da cidade - publicada na edição de ontem -, motivou a reportagem a explicar qual a responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis em casos como esse. Quanto à história da macaca, o chefe do Ibama, em Bagé, o analista ambiental Rodrigo Dutra da Silva, argumenta que o encaminhamento para o Centro de Triagem de Animais Silvestres da Universidade Federal de Pelotas, que ocorrerá na próxima segunda-feira, até foi rápido. Isso porque nem sempre há espaço para um animal resgatado ser atendido. Além disso, ele enfatizou que se o Ibama não atendeu as chamadas do Núcleo e da moradora, no final de semana, foi porque não conta com plantonistas.
De acordo com Silva, não funciona nem funcionará em regime de plantão. Além da falta de pessoal para esse tipo de atividade, não haveria demanda. Ele exemplificou ao dizer que, em três meses, apenas dois casos de resgate de animais silvestres foram verificados. Ainda quanto à manifestação do NBPA que definiu como demorado o atendimento, Silva disse que o primeiro contato com a situação ocorreu na terça-feira, dia 30 de abril, já que no domingo, quando o animal foi resgatado, não havia plantão. Já no outro dia, após esse contato, o Ibama já estava com uma solução: o encaminhamento do exemplar para Pelotas. “É preciso entender que não é tão fácil, mas conseguimos”, disse. O Centro de Triagem da UFPel, inclusive, será parceiro do Ibama, em situações semelhantes.
Mas Silva também destaca que o Ibama não é o único responsável. Na verdade, segundo a Lei Complementar número 140, do dia 8 de dezembro de 2011, a gestão da fauna compete ao Estado. “É claro que se procura o Ibama, e não tem problema. Mas não foi descaso. Descaso seria se não tivéssemos feito nada”, argumenta. Ainda sobre o caso, Silva disse que tanto a moradora que encontrou o animal quanto o Núcleo e o profissional que atendeu o primata fizeram o correto. Ou seja, dar ao animal um primeiro atendimento. Ainda conforme ele, o transporte do animal até Pelotas, na segunda-feira, foi combinado com o Núcleo e com o voluntário que cuida do animal. “Tudo foi bem negociado”, garante.

Responsabilidade e investigação
Ainda sobre a responsabilidade pelo resgate de animais silvestres, o chefe disse que, além do Ibama, é possível recorrer às secretarias municipal e estadual de Meio Ambiente e Polícia Ambiental. “Mas primeiro ao Estado, que é o gestor da fauna”, enfatiza. Contudo, nenhum órgão tem como manter um animal. Por isso, firma-se parcerias, como a que há com a UFPel.
Talvez por ser na região da Campanha, muitos cidadãos pensam que podem criar animais silvestres em suas casas, sem autorização ou condições para isso. Na internet, muitos usuários da rede social Facebook se manifestaram em postagem sobre a história da macaca, dizendo que queriam adotar o animal. Por desconhecimento. Silva comenta que, em Bagé, as principais ocorrências quanto a animais mantidos em cativeiro são de cardeais e caturritas.
Silva conclui informando que o Ibama irá investigar a origem da macaca prego, já que tudo indica que era um exemplar que estava em cativeiro – e isso se trata de uma infração ambiental. A estratégia é conversar com a moradora que encontrou o animal para verificar de qual direção ele surgiu. Logo, conversar com vizinhos. “Nesses casos alguém sempre sabe de algo”, explica. A expectativa é de que quem manteve a macaca em cativeiro é de uma área próxima ao local onde ela foi encontrada.

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