Hemocentro está com estoque 80% abaixo do normal
Publicado em 05/06/2020

Geral

Foto: Arquivo/FS

Doações diminuíram drasticamente com o início da pandemia

A pandemia de coronavírus no Brasil vem causando diversos impactos, principalmente na área da Saúde. Além da falta de leitos em grande parte do país, os profissionais que se dedicam a salvar vidas precisam enfrentar outro problema: a falta de sangue. 
Referência para Bagé e os demais 27 municípios integrantes das 3ª e 7ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), o Hemocentro Regional de Pelotas (Hemopel) trabalha com estoque muito longe do esperado. “Estamos com estoque 80% abaixo do necessário”, garante Gisele Pinto, coordenadora da unidade. Diversos fatores contribuem para que as doações tenham diminuído drasticamente.
Conforme a coordenadora, quando baixam as temperaturas, é comum que a população pare de doar sangue. “Todos os anos acontece isso. Com as baixas temperaturas, as pessoas começam a apresentar sintomas gripais e isso as torna inaptas para a doação”, explica. Este também é um critério para a triagem de doadores, que não podem apresentar nenhum sintoma no momento da coleta.
Além disso, a pandemia também contribui para a diminuição das doações. Mesmo antes dos primeiros casos da covid-19 serem confirmados no Estado, o Hemopel já não realizava mais campanhas externas de coleta. Isso aconteceu devido a uma readequação nos serviços da unidade, que cortou os deslocamentos para outras cidades com o objetivo de captar bolsas de sangue. Assim, as doações devem ser feitas diretamente na sede do Hemopel, em Pelotas. Com o início da pandemia e as recomendações de isolamento social, as pessoas não têm mais se deslocado até o município para doar. “Nós já solicitamos o apoio da coordenadoria para que disponibilize transporte para quem queira se deslocar para efetuar as doações”, afirma Gisele.
Outro fator que causa preocupação é a volta das cirurgias eletivas. Como no início da pandemia esses procedimentos estavam cancelados, o estoque de sangue se manteve normal, mesmo com o número baixo de doações. Agora, que os procedimentos retornaram a demanda por bolsas aumentou, mas o número de doações vem diminuindo. “Isso acaba estourando nos procedimentos de urgência. Normalmente, o paciente eletivo traz doadores consigo. Essas doações levam até 48 horas para serem liberadas. Com as doações abaixo do normal, nós precisamos usar o que tem em estoque para atender essas pessoas e isso faz com que faltem bolsas na hora que acontece uma emergência”, justifica a coordenadora.

Bageenses não doam
Ao ser questionada sobre a presença de bageenses realizando doações de sangue, a coordenadora foi categórica. “Não temos recebido ninguém de Bagé”, garante. A única entidade da Rainha da Fronteira que tem feito doações regularmente é o Exército. Periodicamente, militares das unidades bageenses são deslocados para Pelotas, sendo os únicos oriundos de Bagé a doarem sangue. “As pessoas não querem se deslocar nesse momento. Por isso, a parceria com o Exército tem sido fundamental”, diz a coordenadora.
O Hemopel funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (53) 3222 3002 ou pelo e-mail captacao-hemopel@saude.rs.gov.br.

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