Greve dos municipários gera novo debate na Câmara de Vereadores
Publicado em 30/04/2013

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Vereadores e grevistas cantam hinos Riograndense e Nacional

por Niela Bittencourt

Uma reunião aberta ocorreu ontem pela manhã na Câmara de Vereadores, quando os municipários e seus líderes se manifestaram e pediram apoio aos legisladores para o movimento grevista. Isso porque quando o grupo chegou em frente ao prédio, vereadores se retiraram de uma sessão ordinária que ocorria para ouvir os manifestantes. O presidente da Casa, Paulinho Parera, suspendeu a sessão e se retirou, argumentando que se tratava de um desrespeito para com o parlamento. Os grevistas entraram na Câmara e pediram pela presença de Paulinho, pois acreditavam que ele havia se retirado pela presença deles no local.
Após cantarem o Hino Nacional e, também, o Riograndense, pediram ao procurador jurídico da Câmara, Eduardo Deibler, para que Paulinho comparecesse como uma forma de demonstrar respeito à categoria. Quando Deibler voltou, disse que Paulinho não retornaria. Os grevistas começaram a gritar, em coro, “desce, desce”. O presidente retornou. Mas foi recebido por palmas e vaias. Explicou: “não foi em virtude da manifestação”. Lembrou que, na semana passada, propôs, inclusive, uma sessão especial para que os representantes dos sindicatos podessem se manifestar na tribuna. Disse que se retirou porque em meio a uma sessão ordinária, dos 17 vereadores, apenas seis permaneceram onde deveriam. “Isso foi desrespeito com o parlamento”, argumentou. “Não foi por causa do movimento grevista: essa é a casa do debate”, enfatizou.
Em sua fala, pediu a todos que não transformassem o movimento grevista em “um movimento político”, logo oportunizou que quem quisesse se manifestar, usasse a tribuna. O servidor Flávio Gutierrez representou o Sindiágua e disse que a greve é uma reação há 20 anos de sofrimento, que se tratava de um resgate da dignidade dos trabalhadores. O integrante do comando de greve, Rubilar Rodrigues, ponderou que o movimento não levanta qualquer bandeira política, mas quer a revisão de um piso que pode ser considerado “um deboche, uma vergonha”. Disse aos vereadores que “precisam defender o interesse do povo” e deixou a tribuna aplaudido pelo grupo.
O presidente do Sindicato dos Professores e Funcionários dos Estabelecimentos de Educação Municipal de Bagé, Loi Vaz Lacerda, considerou que não só estão representando a categoria como também a população de Bagé e que “jamais envolveria questões partidárias nas manifestações”. Carin Saliba, do comando de greve, manifestou desaprovação às justificativas do governo para não concederam o reajuste pretendido pela categoria, agora de 10% sobre o piso que é de pouco mais de R$ 330. Para ele, “a culpa não é da folha desses trabalhadores, mas dos altos salários”. Disse que “quem conhece o expediente, sabe que tem gente que não faz nada”. A presidente do Sindicato dos Municipários de Bagé, Mariley Corrêa, falou sobre o reajuste de 50 centavos sobre o vale-alimentação, que hoje é de R$ 5 por dia. Disse que se trata de uma brincadeira e quer, por parte do Executivo, uma proposta justa. “É muito incoerente não terem um índice e quererem criar três, quatro secretarias”, falou.

Vereadores também falaram
Caio Ferreira defendeu a greve como legítima e pediu a todos para que encontrem “um meio termo para que todos saiam ganhando”. Divaldo Lara considerou o movimento como legítimo, justo e corajoso. Também disse que a suspensão da sessão foi um desrespeito: “eu prefiro desrespeitar o plenário do que a população”. Ele foi aplaudido por isso. Disse que respeito é um salário digno e que a Casa deve sempre estar pronta para receber os trabalhadores. “O que está acontecendo aqui não é culpa dos funcionários”, ponderou. Com uma moeda de 50 centavos nas mãos, fez referência ao reajuste proposto pelo Executivo. Falou que “nem para um criança a gente se anima a dar 50 centavos”.
Antenor Teixeira apoiou os grevistas e falou sobre a denúncia que alguns servidores teriam feito para ele: a de que ocorreram contratações para suprir a falta dos grevistas. “Vamos investigar”, enfatizou. Também disse que há quem denuncie perseguição e que isso também deverá entrar em pauta na Comissão de Direitos Humanos. Propôs o diálogo para que se chegue a um acordo. “Todo mundo está perdendo um pouco com isso”, disse Rafael Fuca.
Alegou que não é nem nunca será contra o trabalhador: “apoio vocês, estou com vocês”. Aproveitou para assinar uma moção de apoio ao movimento, proposto pelo Simba.
Geraldo Saliba, por sua vez, considerou a viagem do prefeito Dudu Colombo ao Oriente Médio como inoportuna: “está em viagem como se tudo estivesse bem”. Fez referência aos grevistas: “estão aqui pela vontade de um salário melhor, por isso saíram do anonimato”. A vereadora Sônia Leite definiu o salário dos municipários como “escravo”, de quem não tem direito “a nada, nem a lazer, a saúde ou uma educação melhor”. Sobre os polêmicos 50 centavos, argumentou: “não desmerecendo, nem guardadores de carro aceitam, porque é considerado como esmola”. Falou que a política tem que estar no meio desse tipo de atividade, “porque se estão passando por isso é por causa da política”.
Sônia disse que até mesmo o almoço popular terá um reajuste maior do que o vale-refeição: será R$ 2, R$ 1 a mais do que o cobrado hoje. Bocão Bogado lembrou que um municipário recebe menos que R$ 11 por dia e que com 50 centavos “não se pode comprar nem 100 gramas de mortadela”. Falou sobre os cargos mais bem remunerados no governo. “Não são eles que estão limpando as ruas. Peço a Deus que toque o coração e a cabeça do prefeito para que dê um reajuste justo aos trabalhadores”. Lelinho finalizou sugerindo um aumento progressivo, a médio e a longo prazo, e também apoiando a volta do turno único para que os servidores possam buscar um complemento salarial com outras atividades.

Daeb também para
Cerca de 40 servidores do Departamento de Água e Esgotos de Bagé paralisaram, ontem pela manhã, em apoio aos municipários, que estão em greve desde o dia 25 de abril. Conforme o delegado do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Rio Grande do Sul (Sindiágua), Clodoaldo Fagundes, a decisão ocorreu por meio de conversas informais. A motivação é por pautas em comum, como a volta do turno único de trabalho e, ainda, o debate do plano de carreira dos servidores públicos. A presidente do Simba, Mariley Corrêa, na Câmara de Vereadores, agradeceu a participação dos colegas. “Ao se agregarem nos tornam mais fortes”, manifestou.
É preciso lembrar que está prevista, para hoje, nova reunião com o Executivo. A expectativa é que o prefeito em exercício apresente contraproposta à protocolada pelo Simba na última sexta-feira.


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