Greve dos municipários começa hoje
Publicado em 25/04/2013

Geral

Foto: Stela Vasconcellos/EspecialFS

Categoria percorreu principal avenida da cidade

por Niela Bittencourt

A partir de hoje, às 12h, os municipários de Bagé estarão em greve – apenas funcionários do transporte e da área da saúde iniciarão a greve amanhã. A deflagração só não ocorrerá se o Executivo conceder o reajuste de 12% sobre o salário da categoria. Isso foi definido em assembleia, no dia 22 de abril. Na ocasião, os funcionários públicos também impuseram, como condição, o aumento de 100% no vale-alimentação – hoje, por dia, são concedidos R$ 5 para cada municipário. Até o fechamento da edição, o Sindicato dos Municipários de Bagé não havia recebido nenhuma proposta por parte do Executivo. É preciso lembrar que o Simba protocolou tais exigências e o indicativo de greve no dia 23 de abril.
Ontem pela manhã, cerca de 500 trabalhadores se manifestaram em frente ao Centro Administrativo. Dessa vez, eles cantaram músicas populares, que remetem a uma época em que só era possível se manifestar, publicamente, contra o sistema dessa forma. No repertório Elis Regina, Cazuza e Caetano Veloso. Dessa forma, caminharam pela principal avenida da cidade, a Sete de Setembro. Também estavam munidos de cartazes: “Dudu, o pancho está mais caro”, dizia um deles, fazendo referência ao valor do vale-alimentação. Os manifestantes contaram com a participação de representantes do Cpers Sindicato, que está em greve até amanhã.
A presidente do Simba, Mariley Corrêa, diz que está satisfeita, uma vez que o movimento pode ser considerado forte. “Não vamos nos desmobilizar”, garantiu. Comemorou, ainda, a adesão dos professores da escola General Mallet. Para ela, 70% da categoria está parada. Tal índice, porém, não leva em consideração o número total de servidores públicos, que é de quase quatro mil, mas aqueles que recebem o “salário mais baixo”. A sindicalista justificou que há setores que não paralisarão, como secretaria da Fazenda e da Administração. “Aqueles que têm algum tipo de vantagem não vão parar, os que não têm e que contam apenas com o base estão aderindo”, argumentou.
Para o grupo, um funcionário enfatizou a legitimidade da greve, lembrando que todos poderão, sim, convidar colegas à adesão. “Não é proibido”, explicou. Também alertaram que os empregadores não podem constranger o grevista ou suspender contratos de trabalho, tampouco ameaçar. A professora da escola General Mallet, Carmen Bueno, manifestou-se publicamente: disse que funcionários públicos servem à comunidade e a qualidade do serviço depende do salário. Ela disse, também, que os funcionários das escolas estão sendo pressionados com ameaças de corte de ponto. “Dizem que paralisação e greve não são legais”, acrescentou.
Ela apresentou à reportagem uma cópia de um e-mail destinado a professores na sua escola com orientações que a diretoria teria recebido da Secretaria de Educação. Na mensagem falam que o movimento não foi deflagrado pelo Sindicato dos Professores e Funcionários dos Estabelecimentos de Educação Municipal de Bagé e que, por isso, o grupo não teria respaldo legal. “Diretores foram eleitos pela comunidade, deveriam, então, defender os nossos interesses e não dos governantes”, acrescentou. O professor da escola São Pedro, Claudionor Cunha Dourado, ponderou que o salário significa qualidade de vida. “Como um professor vai conseguir comprar um livro se recebe tão pouco e, sequer, tem tempo para ler o livro?”, questionou. “O aluno da Unipampa (Universidade Federal do Pampa) não é de Bagé, é de fora, porque não temos uma educação de qualidade, não conseguimos dar uma educação básica de qualidade”, finalizou.

Novidades hoje
Está previsto, para hoje, “um anúncio importante para a categoria”. Isso segundo um dos integrantes da comissão de paralisação, que chamou os manifestantes para estarem às 8h30, em frente ao Simba. Mariley Corrêa não revelou nada à reportagem, apenas garantiu que se trata de uma informação sobre a negociação.

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