Governador em exercício discute ações para enfrentar estiagem no Estado
Publicado em 22/01/2020

Rural

Foto: Gustavo Mansur/Divulgação FS

Reunião com entidades do setor rural e prefeitos de cidades atingidas

A estiagem que assola o Rio Grande do Sul desde o mês de dezembro vem sendo monitorada pelo governo do Estado. O governador em exercício, deputado estadual Luís Augusto Lara, recebeu ontem, no Palácio Piratini, representantes do setor agrícola, de movimentos sociais e dos municípios para fazer um levantamento das perdas causadas pelo déficit de chuvas.

Lara destacou que, além das medidas já anunciadas pelo Estado, será necessário reforçar o pedido de apoio ao governo federal. “Esse é o tema que mais angustia os gaúchos no momento. A cada cinco anos, enfrentamos o problema, mas sempre parece que é a primeira vez. Temos de enfrentar o tema com pressão política, vontade e orçamento”, garantiu o governador em exercício.

Entre as medidas, estão as solicitações, direcionadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de prorrogação do prazo de zoneamento agrícola e de reserva de cota extra do seguro agrícola. “O secretário Covatti Filho está em contato com a ministra Tereza Cristina”, garantiu o secretário em exercício de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Luiz Fernando Rodriguez Júnior.

Mais de 70 municípios em emergência

A pasta vem acompanhando as perdas registradas nas principais lavouras e culturas. Desde o começo de janeiro, foram realizadas diversas reuniões com entidades do setor para verificar a situação e mitigar as perdas. O boletim mais recente da Defesa Civil contabiliza, até o momento, 74 municípios em situação de emergência devido à estiagem. As culturas mais afetadas são milho, fumo, soja e feijão.

Déficit hídrico até final do verão

Em boletim meteorológico divulgado ontem, pela meteorologista Jossana Cera, consultora do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), ressaltou que o déficit hídrico prosseguirá até o mês de março no Estado. Ela comentou que após o dia 15 de novembro do ano passado, as chuvas passaram a ocorrer de forma menos frequente e com volumes mais baixos do que os registrados na primeira metade da primavera. No mês de dezembro, o Rio Grande do Sul ficou com um déficit de chuvas, o que agravou a estiagem que persiste ainda em janeiro. A região da Campanha, a Central, Planícies Costeira Interna e Externa ficaram com volumes de, no máximo, 25 a 50 milímetros nesse período. Essa irregularidade em precipitações deve continuar durante todo o verão.

Campanha será região mais afetada em março

Ainda segundo o prognóstico divulgado pela meteorologista, a situação mais grave de falta de chuva em março deverá ficar para as regiões da Campanha e Fronteira Oeste, onde o déficit de chuvas deverá ficar entre -85 e -130 mm (Figura 4 F). “A média de seis modelos climáticos também prevê chuvas abaixo do normal para fevereiro e março. De qualquer forma, precisa-se ter em mente que as chuvas ocorrerão, em forma de pancadas isoladas ou, por vezes, pela passagem de uma frente mais organizada. No entanto, pode ser que, na maioria dos municípios do Estado, elas não sejam suficientes para alcançar a média climatológica do mês”, destacou o texto divulgado no site do Irga.

Sanga Rasa: dois metros abaixo da capacidade normal

Ainda que não esteja na mesma situação, a diminuição no regime de chuvas em Bagé preocupa produtores rurais e a população em geral. Até o momento, conforme o Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb), o acumulado neste mês é de 81 milímetros e o principal reservatório da cidade está com -2.20 metros abaixo do volume normal. A barragem do Piraí está com menos um metro. A previsão meteorológica divulgada pela Somar aponta para esta quarta-feira mais uma pancada de chuva que deverá totalizar um milímetro. Nos próximos dias não há indicação de chuva para a região da Rainha da Fronteira, apenas para segunda-feira, dia 27, poderá ocorrer uma precipitação de três milímetros. As temperaturas continuarão com as máximas superiores aos 30 graus.

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