Folha do Sul no front da informação
Publicado em 26/03/2020

Editorial

Estamos vivendo um momento jamais imaginado por qualquer ser humano; momento de tensão, de medos, de cuidados e de superação. Quem  diria que um vírus iria afastar pessoas muito próximas e, ao mesmo tempo, unir gente que está muito longe. Todos pela mesma causa. Isso é o que vemos hoje, e, ao mesmo tempo que estamos distantes de quem amamos, estamos próximos em solidariedade a pessoas que nem conhecemos. E, neste momento de crise, de aflição, de cuidado e de superação, é cada vez mais importante o papel da imprensa, auxliando, divulgando, noticiando e atualizando a população com notícias verdadeiras; fatos concretos e, principalmente, com credibilidade, pois não podemos esquecer que vivemos em tempos de fake news, onde qualquer pessoa, com um celular ou microfone na mão, pode se achar apta a debater assuntos que mexem diretamente com a vida das pessoas.
Nesta semana, foi amplamente divulgado pela agência de comunicação Edelman, um estudo global que mostra que em meio à pandemia de coronavírus, os veículos de  imprensa aparecem como a fonte de informações mais confiável para 64% das pessoas. Nestes tempos sombrios, mais do que nunca, credibilidade é a palavra de ordem em meio à era da hiperinformação. O avanço desenfreado do coronavírus por todos os cantos do planeta colocou pessoas de todas as raças e idiomas em isolamento social, algo que a humanidade jamais iria imaginar que fosse ocorrer neste século. Para quem vive na era da inteligência artificial, o coronavírus mostrou que o homem não é supremo. A realidade, que a pandemia impôs ao mundo, desperta as atenções para o que havia sido deixado de lado, que são as relações humanas e familiares. Enquanto milhões estão “entoucados” dentro de casa, outros milhares têm de sair às ruas, caso contrário, essa roda chamada planeta, já teria parado e o caos, de fato, teria se instalado. São profissionais de diferentes ramos, como os da Saúde - que pela escolha da profissão - hoje são primordiais para salvar vidas. São tantas as outras profissões que exigem de quem as escolheu, que estejam no front da batalha. Entre elas os jornalistas, função indispensável no mundo. Se não fosse por abnegados profissionais da comunicação, o mundo não saberia o que acontece e muito menos sobre essa doença que impões toque de recolher no planeta. Um dos mais jovens jornais do país, o Folha do Sul, com apenas 10 anos de existência, já pôde testemunhar e relatar em suas páginas momento cruciais, porém jamais visto,  como, por exemplo, esse em que o mundo no sentido mais literal da palavra vive. O momento requer precaução e cuidado com a vida,  sobretudo, requer que o homem e a mulher da comunicação não se escondam na trincheira, pois outros estão no front. E, nessa linha, o Folha do Sul, mesmo com restrições e uma nova dinâmica na forma de produzir a notícia, não deixou de circular o impresso. Inclusive, hoje, é  o único da Rainha da Fronteira que chega às mãos dos assinantes – distribuído pelos seus aguerridos entregadores. Não é mérito nenhum dizer isso, afinal existimos para esse fim, mas é necessário falar que não podemos parar; não podemos nos acovardar neste momento em que milhares de pessoas esperam a informação de credibilidade e de fidelidade, pois esse é o nosso papel. Fomos os únicos que, mesmo com todas as dificuldades, não paramos de circular em Bagé, durante a greve dos caminhoneiros. Todas as noites, dois colegas partiam em direção à capital gaúcha para buscar o jornal, em meio às incertezas e o medo que pairavam nas rodovias. Não basta apenas informarmos por meio das redes sociais, seria muito cômodo e até desleal com colegas que estão na linha de frente para nos abastecer de informação. Passamos em tempo real as notícias pelas plataformas digitais do jornal com longo alcance, mas não descuidados jamais do impresso, que é a alma do jornalismo. O mundo seria outro, se não existissem jornalistas que foram para o front testemunhar e relatar grandes catástrofes, sejam quais forem, lá tinha alguém para informar.  Informação e publicidade também são remédios para a cura. Enquanto não venhamos a enfrentar  limitações, que venham a ser impostas pela gráfica em função do coronavírus, onde o jornal Folha do Sul é impresso em Porto Alegre, estaremos chegando aos lares dos nossos assinantes - razão de nossa existência.

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