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Ferradura como símbolo do radicalismo
Publicado em 23/11/2019

Política

A solenidade de fundação do novo partido, Aliança Pelo Brasil, liderado pelo presidente da República, aproxima mais ainda os dois extremos políticos brasileiros. Quem não sabe que grande parte dos processos contra Lula tinha na pauta, embora implicitamente, evitar a candidatura à presidência de República? Se durante todo o processo as instituições não cansaram de negar essa possibilidade, após a prisão do ex-presidente, os argumentos foram caindo como fruta madura (ou podre). Primeiro, o nome forte da Justiça de primeira instância, Sérgio Moro, aceitou ser ministro de Bolsonaro. A partir dali, o que era apenas denúncia contra o procedimento da força-tarefa passou a ser considerada como verdadeira. Na sequencia dos fatos, entrou em campo o jornalista Glenn com as denúncias, conseguidas ilegalmente, que acabaram abalando a credibilidade da Justiça de primeira e segunda instância. No noticiário especializado, o questionamento em pauta sempre foi a “agilidade” da Justiça no julgamento do Lula. Para mim, que gosto de analisar os fatos, o que aconteceu deveria também atingir a outros denunciados. É o que mais o cidadão honrado gostaria de ver. Quanto mais rápido agir a Justiça, menor será o perigo dos corruptos se safarem da punição. Mas a gente sabe que tem muito corrupto sequer foi julgado em primeira instância. Neste aspecto, o Supremo tem a parcela de culpa. Ao determinar a prisão após julgamento de segunda instância, ele abriu caminho para que o processo corresse rapidamente, coisa considerada inédita na Justiça brasileira. A partir daí, o debate foi em cima da decisão do Supremo. Ele tinha ou não competência para mudar o texto da Constituição? O tempo passou e o próprio Supremo, ao derrubar a decisão anterior, confessou o próprio erro. Lula, que tinha direito a prisão domiciliar, por ter cumprido parte da pena, não aceitou o benefício que a lei lhe concedia. Em que pese o ‘esforço’ da força-tarefa em lhe oferecer o benefício. Entre um fato e outro (e fatos são fatos), o jornalista Glenn mostrou com provas conseguidas ‘ilegalmente’, que a força-tarefa estava investigando ministros do Supremo ‘sem autorização judicial’. Ai ocorreu a votação que culminou com a derrubada da prisão em segunda instância. A decisão que o levou para a cadeia acabou por liberá-lo, automaticamente, da prisão. Quem foi o protagonista? STF. É o resumo dos fatos. Certo?

Lula saiu da cadeia queimando pneu

Ao ser liberado imediatamente, por decisão do Supremo, Lula usou o que sempre soube usar: O comício público, abraçado pelos seguidores. Saiu batendo na força-tarefa, no juiz Moro e no Bolsonaro. Os conselheiros de Jair foram atendidos e ele não contrapôs, com a mesma intensidade, as acusações de Luiz Inácio. Afinal de contas, a principal briga estava montada dentro do próprio partido. Dividiu o PSL, entre seguidores de Bivar (presidente da sigla) e os seus seguidores. Isso culminou com a decisão, já externada há tempo de criar o próprio partido. Isso aconteceu há dois dias. Agora, o adversário é outro. No lançamento da Aliança Pelo Brasil, já está em campanha pela reeleição. O adversário é o governador do Rio, Witzel, a quem acusa de tentar “destruir a reputação da família Bolsonaro”. O que é mais grave, “usando a Polícia Civil do Rio de Janeiro”. E aí está inserida a declaração do porteiro do condomínio onde ele mora, afirmando que a autorização para entrar no condomínio de um dos acusados (Queiroz) da morte da vereadora Marielle Franco foi do ‘seu Jair’. Com essa acusação deram respaldo para que o ministro Sérgio Moro solicitasse a federalização da investigação sobre o assassinato da vereadora. Pois bem, o próprio porteiro voltou atrás e não confirmou a declaração anterior. Isso deu margem a que o presidente no lançamento do novo partido, acusasse o governador de usar a Polícia Civil do estado para acusá-lo. Então, fica a pergunta: se o governador pode usar a força pública estadual e autorizar declarações comprometedoras contra o presidente da República, a força federal, que conseguiu que o porteiro voltasse atrás de sua declaração, também não poderia ter sido incentivada pelo presidente da República? Mais do que nunca, a ferradura é o símbolo do radicalismo. As pontas se aproximam. Não sei no que vai dar. Agora, o Lula bate de um lado, com o silêncio temporário de Bolsonaro, que encontra outro adversário pelo caminho: Witzel. Concordam ou não?                  

 

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