Febre aftosa
Farsul aprova continuidade de medidas para retirada de vacinação
Publicado em 21/02/2020

Rural

Foto: Divulgação/FS

Gedeão Pereira reforçou que posicionamento final será no segundo semestre

A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) decidiu apoiar a continuidade do processo de antecipação da retirada da vacina contra a febre aftosa no Estado. A decisão ocorreu na quarta-feira, na sede da entidade, com a presença de representantes de sindicatos rurais. Conforme a Farsul, dos 138 sindicatos associados à entidade, 69 estavam presentes na sede da federação, com 64 aptos a votação. Na ocasião, o placar foi de 53 votos a favor e 11 contrários entre os representantes dos sindicatos rurais. A intenção do governo estadual é realizar a última vacinação em março e obter a nova certificação em maio de 2021, junto com o Paraná.

De acordo com o presidente da Farsul, Gedeão Pereira, os produtores deram "voto de confiança" para a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) encaminhar o pedido e fazer adequações no sistema de defesa animal até agosto, quando haverá consulta final, em assembleia, com todos os sindicatos sobre o tema. "Se até lá os requisitos forem cumpridos, bateremos o martelo sobre a retirada da vacina", afirma o dirigente.

Decisão final será em agosto

Pereira, em vídeo divulgado pela Farsul, reiterou que essa assembleia será importante para discutir com os sindicatos, posição final sobre o tema. “Isto é importante que os sindicatos entendam, que não podemos perder esse cronograma que está estabelecido pelo estado do Paraná, que já realizou a última vacinação no mês de novembro.  Ou seja, o Paraná está caminhando para ficar um estado livre da aftosa sem vacinação. Como estamos no mesmo calendário, por isso pedimos a antecipação da vacina para março, para permanecermos nesse cronograma. Agora, as condições  para que nos possamos aprovar a retirada ou não da vacinação se dará no mês de agosto. Esse mês será muito importante ter a presença de todos os sindicatos rurais para que com o poder de voto examinarmos se o governo do estado cumpriu com todas as obrigações e ai, em caso positivo, retirarmos a vacinação”, ressalta o dirigente.

Recomendações do Mapa

A lista, a que se refere o presidente da Farsul, envolve 18 recomendações feitas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) após auditoria técnica sobre a qualidade do sistema estadual de vigilância. O relatório foi apresentado ao setor agropecuário em janeiro. "Apoiamos a continuidade dos procedimentos para não perdermos os prazos, e o governo estadual está agora pressionado a cumprir todos os requisitos até agosto, quando teremos nossa posição definitiva", acrescenta Gedeão Pereira.

A votação ocorreu após três horas de debate com representantes de entidades, técnicos da Seapdr e do Mapa e autoridades. Entre elas, o secretário estadual da Agricultura, Covatti Filho, e o seu antecessor na pasta, deputado Ernani Polo, atual presidente da Assembleia Legislativa gaúcha. O evento foi realizado no centro de eventos do Hotel Continental, em Porto Alegre.

Entidade bageense é contrária a fim de imunização

Como foi divulgado na edição do dia 18, em que o Sindicato Rural de Dom Pedrito anunciou posicionamento contrário acerca da retirada de vacinação contra a febre aftosa, a Associação e Sindicato Rural de Bagé também se manifestou sobre o tema. Em nota assinada pelo presidente da entidade, Rodrigo Borba Moglia, a associação consultou produtores vinculados à Rural, de Bagé, Aceguá e Hulha Negra.

O tema vem repercutindo após o governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, apresentar, no final do mês de janeiro, ações que podem favorecer para que o Rio Grande do Sul possa evoluir o status sanitário para zona livre de aftosa sem vacinação. Na semana passada, o governo do Estado conseguiu a antecipação da vacinação contra a febre aftosa de maio para março. A antecipação faz parte da estratégia do Estado para ser declarado pelo Ministério da Agricultura como livre de aftosa sem vacinação, a fim de obter, num segundo momento, o reconhecimento internacional dessa condição pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

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