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Família afirma que idosa foi velada viva
Publicado em 21/08/2019

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Foto: Arquivo pessoal

Rosaura estava internada há cerca de duas semanas

A madrugada gelada desta terça-feira se tornou  mais sinistra para os familiares de Rosaura Vaz, 79 anos. Eles velavam o corpo da idosa no cemitério José de Arimateia, quando um fato estranho chamou atenção da família. Mesmo horas depois de atestado o óbito, o corpo não estava enrijecido. Um dos parentes afirmou que a nora e uma neta, ao tocar na mão da idosa, teriam sentido que ela havia reagido e apertado a mão das duas. Porém, pela circunstância, alguns acharam que se tratava de espasmos.
A neta da idosa, Sara Machado, 24 anos, contou que os familiares foram perceber que algo estava estranho ao amanhecer. Ou seja, o corpo estava com temperatura normal de uma pessoa viva, com cor e as pupilas não estavam dilatadas.
Conforme o neto, Josué Machado, 30 anos, foi aí que os familiares resolveram verificar os sinais vitais. Segundo ele, a pressão estava 12 por sete, com batimentos cardíacos. Mediante essa constatação, por volta das 00h30min de terça-feira, eles acionaram o médico que havia atestado a morte da idosa. 
Ele contam que o médico chegou no cemitério por volta das 8h40min e foi verificar os sinais; depois ele saiu e enviou uma ambulância, às 11h. “Os pais e os tios tiraram ela do caixão”, disse Machado.
Josué e Sara acreditam que a avó morreu quando foi retirada do caixão para ser levada para o hospital. “Passei a noite chorando e minha vó estava viva”, lamentou Josué.


Atestado de óbito na madrugada
Sara contou que Rosaura estava internada há alguns dias. Segundo ela, a idosa estava com problemas respiratórios. A neta frisou que ela tinha previsão de alta para ontem. “Ela estava feliz, deu boa noite para as enfermeiras e foi dormir”, relatou. Conforme a jovem, minutos depois as profissionais teriam ouvido um ronco estranho e foram verificar. Ela acrescentou que Rosaura teria sofrido uma convulsão e tido uma para parada respiratória. Conforme a neta, o médico foi acionado e atestou o óbito por volta das 00h30min.
 

Fato vira caso de polícia
Por volta das 17h, policiais foram até o cemitério José de Arimateia. Familiares se dirigiram depois até a Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA) para registrar boletim de ocorrência. O caso vai ser investigado pela 2ª Delegacia de Polícia.

Posição da direção da Santa Casa
A reportagem procurou a administração da Santa Casa de Caridade de Bagé. O administrador da instituição, Alexandre Andara, relatou que foram avisados por um familiar, alegando que a idosa estava sendo velada, mas estaria viva. “Montamos uma equipe e enviamos uma ambulância até o cemitério José de Arimateia”, frisou. Segundo ele, a equipe removeu o corpo, acompanhado de um familiar. “Provamos que a idosa já estava em óbito”, asseverou.
Sobre a questão de a idosa apresentar pressão arterial e batimentos cardíacos, o profissional disse que é questionável um familiar, não habilitado na área da Saúde, ter aferido a pressão. “Entendemos o momento de tristeza da família”, salientou.
Andara explicou que a informação de que a idosa estaria, supostamente viva, partiu de pessoa leiga (com pouca familiaridade com determinado  assunto). “Lamentamos o fato e entendemos o momento, mas temos bons profissionais para atender e boa estrutura. Ela não faleceu no trajeto do cemitério até o hospital”, garantiu. Ele ressaltou que foi realizada a necropsia e o óbito foi atestado por uma equipe de profissionais e não somente por um médico, afirmando que a instituição está à disposição para qualquer esclarecimento. 


 

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