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Estudantes se unem aos professores em defesa da Educação
Publicado em 20/11/2019

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Foto: Mariana Muza

Jovens confeccionaram faixas e cartazes

O segundo dia da greve dos professores da rede estadual de ensino foi marcado pela mobilização de estudantes, que foram às ruas em apoio aos mestres. Logo no início da manhã de ontem, os alunos se concentraram em frente à 13ª Coordenadoria Regional de Educação, na avenida Sete de Setembro. Por volta das 11h, estudantes da escola Frei Plácido "abraçaram" a instituição de ensino. 
A diretora do 17º Núcleo do Cpers Sindicato, Delcimar Vieira, comentou que a semana é de organização do movimento grevista. Ela participou dos dois atos que a reportagem do jornal Folha do Sul acompanhou: o primeiro contou com alunos de escolas como Justino Quintana e Carlos Kluwe.  Sobre a adesão, a sindicalista mencionou que as maiores instituições estão paradas, e que ainda há aquelas com adesão parcial; e muitas em que os alunos, mesmo que um ou outro professor garanta que continuará em sala de aula, simplesmente não vai, em apoio ao movimento. 
Delcimar comentou que a expectativa é de que a greve seja uma crescente. Inclusive, entre amanhã e sexta-feira, os grevistas devem, segundo ela, acampar na praça da Estação, em frente ao Centro Administrativo. Ela ressaltou que, para a sociedade, é preciso explicar que os trabalhadores foram "empurrados para a greve". Ela elucidou que, no pacote do governo, apelidado pelos professores como "pacote de maldades", a Educação foi eleita para ser "destruída". 
Mencionou que o governo quer acabar com o plano de carreira do magistério e sucatear ainda mais as escolas. Lembrou, ainda, que os educadores estão há cinco anos sem reposição salarial, e há 47 meses com salários atrasados e parcelados. Como consequência, revelou a sindicalista, estão endividados, doentes - inclusive, com depressão. "Queremos mostrar para a sociedade que nós somos trabalhadores. Tem amor? Sim, mas só amor não mantém a Educação", pontuou. "A greve é uma questão de sobrevivência, é o compromisso com a qualidade da Educação pública", acrescentou.

Abraço simbólico
Entre os jovens mobilizados no ato simbólico em frente à escola Frei Plácido estava o presidente do grêmio estudantil da instituição, Willian Rodrigues, 17 anos. Ele argumentou que os estudantes resolveram organizar o "abraço" para chamar atenção para a situação dos professores, que é preocupante, na avaliação dele: são cinco anos sem reposição salarial, "mas o arroz sobe, a luz sobe". E enfatizou: "Eles (os professores) são a base do nosso futuro, sem eles não seremos ninguém. Não tem médico, não tem engenheiro, não tem mecânico, não tem nada". 
A professora de Sociologia, História, Filosofia e Geografia da escola Frei Plácido, Nádia La Bella, questionada sobre o sentimento diante da manifestação dos alunos, garantiu que isso significa que, de fato, os educadores estão formando cidadãos, que não são insensíveis à situação que o magistério vive. "Que chegou num nível insuportável. Chegamos ao nosso limite. Ninguém gosta de fazer greve. Vejo algumas pessoas dizerem que a greve é inoportuna. Quando ela é oportuna? Gostaríamos de fechar o ano letivo e tirar nossas férias. Mas o que está em jogo é o fim da carreira do magistério", esclareceu. 
Nádia comentou que a paralisação, ontem, na escola, era 100%, mas que na segunda-feira foi parcial. "O que é bonito, mas paradoxal, é que os alunos convenceram alguns professores a paralisarem. Algo que me entristece, mas também me emociona", disse. Ela completou: "Muitos colegas, em muitas escolas, não têm essa consciência de classe e são questionados pelos alunos: 'Poxa, professora, a senhora não vai parar? A senhora está feliz? Não precisa? Mas a sua colega precisa, está com a luz cortada'. Isso é solidariedade, é empatia". 

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