Distanciamento Controlado
Estado mantém Bagé e região sob bandeira laranja
Publicado em 07/07/2020

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Foto: João A. M. Filho

Em tom de desabafo, prefeito ressaltou riscos causados pela desobediência aos protocolos de segurança

Mesmo após recurso movido pela Prefeitura de Bagé, o governo do Estado manteve a mudança de status da Região 22, da bandeira amarela para laranja. Portanto, a região que integra os municípios de Aceguá, Bagé, Candiota, Dom Pedrito, Hulha Negra e Lavras do Sul passaram de risco baixo a médio, principalmente devido ao aumento no número de internações e novos casos confirmados da covid-19 nos últimos dias. O anúncio foi feito pelo governador Eduardo Leite, por meio de rede social. O status de risco está mantido até o dia 13 de julho.

Em entrevista ao jornal Folha do Sul no final da tarde de ontem, o prefeito Divaldo Lara, manifestou decepção com a falta de respeito aos protocolos de segurança e também alertou da falta de insumos caso ocorra o aumento descontrolado de infecções por coronavírus. “O hospital tem estoque de sedativos e anestésicos para intubação para somente 15 dias e equipamentos de proteção individual (EPIs) para somente sete”, alertou.

Conforme a classificação, os seis municípios da região estão em situação de: 1- Média capacidade do sistema de saúde e baixa propagação do vírus, ou, 2- Alta capacidade do sistema de saúde e média propagação do vírus. Este enquadramento, baseado em dois diferentes cenários indicou, segundo o Centro de Operações de Emergências da Saúde (COE), a necessidade de alteração de bandeira, mesmo com recurso movido pela Prefeitura de Bagé.

O fato é que a progressão no número de casos, a falta de obediência às ações de distanciamento, além do registro de 12 casos no domingo – oito deles vinculados a uma única família que realizou uma festa de aniversário para um idoso, que acabou por ser internado devido à doença.  Isso ocasionou o maior número de registros em um único dia, porém, desde o início da pandemia, já indicavam a possibilidade de progressão de status para risco médio.

OLHO

“O hospital tem estoque de sedativos e anestésicos usados em intubações para somente 15 dias e equipamentos de proteção individual (EPIs) só para os próximos sete”

Decepção

Ouvido pela reportagem do jornal Folha do Sul, Divaldo foi claro em manifestar decepção com os incidentes ocorridos nos últimos dias, principalmente no fim de semana, quando profissionais de  foram agredidos e ameaçados na região central da cidade. “Já vínhamos avisando que se a atitude da população não mudasse isso poderia acontecer (mudança para a bandeira laranja). O comportamento totalmente irresponsável de alguns está colocando em risco a saúde de todos no município. Também me chamou muito a atenção de que novos casos foram justamente de uma família que fez uma festa, em plena pandemia, para comemorar o aniversário de uma pessoa do grupo de risco. Isso é totalmente inaceitável. Ressalto ainda que esse total desrespeito e desobediência poderá fazer com que o Estado classifique a região como bandeira vermelha, o que vai prejudicar o comércio de Bagé como um todo. Foram 14 novos casos em cerca de 72 horas, por isso, solicitamos apoio das forças de segurança e vamos aumentar as restrições”, afirmou.

O chefe do Executivo pontuou que os recentes episódios de desobediências às orientações de distanciamento social podem reverter totalmente a situação de segurança que a Rainha da Fronteira conquistara após enfrentar a fase inicial da pandemia. “Nenhum dos novos casos registrados tem relação com o primeiro caso registrado em Bagé, o que mostra que o árduo trabalho realizado teve sucesso e, neste momento, nosso maior risco é a entrada do vírus através de outros municípios, como aconteceu nesse caso do aniversário do idoso. Comportamentos como esses colocam em risco tudo o que foi feito até agora, em um momento em que nosso sistema de saúde também recebe pacientes de municípios de fora de nossa região”, asseverou.

Alerta de desabastecimento

Sem rodeios, o prefeito alertou que a falta de conscientização de setores da sociedade podem afetar, além do comércio e da circulação de pessoas, a própria saúde daqueles que precisarem de internação nos hospitais. “Estamos em perigo. O risco que enfrentamos no momento é que mesmo tendo estrutura hospitalar disponível, os pacientes não possam ser atendidos devido à falta de sedativos e anestésicos usados na intubação de pessoas em estado grave que precisam ser internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por covid-19.  Além de sobrecarregadas, as equipes de saúde podem ficar sem EPIs por conta do desabastecimento, que afeta o país inteiro. A situação atual é que mesmo com os recursos financeiros para custear esses materiais, não existem fornecedores com estoque para atender”, detalhou.

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