Espectro ronda a democracia brasileira
Publicado em 06/06/2020

Editorial

Qualquer pessoa de sã consciência, que seja despida de cores partidárias e desse ranço político instalado no Brasil, está apreensiva com o que está ocorrendo no país e vislumbra um horizonte sombrio, se as coisas não entrarem nos eixos. A democracia, que já é frágil, está mais do que nunca ameaçada por um grupo de lunáticos que defende o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional. Políticos eleitos e muito bem pagos para governar, que deveriam estar preocupados e trabalhando com afinco para conter o avanço da pandemia que vem dizimando vidas diariamente no país, estão provocando balburdia e bate-boca político, enquanto vidas são perdidas. Não é novidade para ninguém que o resto do mundo olha com incredulidade para o que está ocorrendo no Brasil, que parece estar à deriva, quando se trata de condução e administração por parte do presidente da República, que prefere fazer teatro para a turma que o aplaude. Não há na história brasileira, desde a redemocratização, nenhum governo que tenha colocado o país à beira do abismo, no que diz respeito à liberdade – conquistada a duras penas depois de passar por gestões autoritárias, como foi a ditadura militar que deixou cicatrizes profundas no país. No que tange à manutenção da democracia, não interessa que governo for, pois isso é inegociável e não tem o que se discutir ou defender quem esteja ocupando o  cargo mais alto do país – seja ele, ou ela, de direita ou de esquerda. Os valores democráticos consubstanciados na Constituição de 1988 não estão no balcão a negócio. Em meio à pandemia, os brasileiros assistem atônitos a virulência verbal e os ataques desmesurados do gestor eleito justamente de forma democrática, o que cada vez mais aprofunda esse fosso entre Planalto, Congresso e STF. Casa vez mais, se alastra o pensamento canhestro de um núcleo entranhado no Palácio do Planalto, que só faz aumentar a crise, desqualificando instituições, governadores e prefeito, que lutam em seus estados e municípios para conter o avanço do vírus mortal. Não é nenhum exagero afirmar que a democracia está em perigo e os extremistas têm que ser contidos. Na edição de hoje, uma entrevista com dois advogados e um comunicador sobre esse momento sombrio e ameaçador que atravessa o Brasil.

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