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Equoterapia ajuda a realizar perícias
Publicado em 20/08/2019

Segurança

Foto: Divulgação/FS

Perita conversa com criança vítima de trauma

A manhã de inverno tinha sol e temperatura agradável. No 4º Regimento de Polícia Montada da Brigada Militar, em Porto Alegre, um garoto de 9 anos olha desconfiado para o cavalo Retruco. Depois de alguma resistência, aceita montar no animal e inicia o passeio, acompanhado pela coordenadora do Centro de Referência em Atendimento Infantil (Crai), mantido pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP), Angelita Rios.
O objetivo era aproveitar os benefícios da equoterapia, método terapêutico que ajuda na socialização e no tratamento de traumas – caso do garoto, que testemunhou um crime. Os momentos tranquilos e de confiança mútua possibilitaram mais uma etapa de realização da perícia psíquica, que havia iniciado na sede do Crai, no Hospital Presidente Vargas. O trauma sofrido pela criança dificultava a aplicação do protocolo de entrevista investigativa, usado em casos menos graves. “O cavalo entra como um facilitador, capaz de mobilizar as emoções. A intervenção com equinos permite o acesso a lembranças armazenadas na memória”, ressalta. Com a sessão de equoterapia foi possível avançar em pontos importantes para a confecção do laudo. Outras sessões devem ajudar a finalizar o atendimento.
A técnica inovadora começou há dois anos, com outra criança que testemunhou um crime violento. “Poucos estados realizam perícia psíquica oficial específica. Possivelmente somos pioneiros também nesse tipo de atendimento (com equoterapia)”, destaca Angelita. O serviço realizado pelo IGP foi o primeiro implantado no país e ajudou a romper com a ideia de que a prova material é a única relevante para o esclarecimento de crimes de conteúdo sexual.
Agora, a intenção é firmar um convênio com a Brigada Militar, para continuar o atendimento aos menores e também para servidores da Segurança Pública que estejam passando por sofrimento psíquico.

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