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Emoção e diversão marcam sexta edição da Corrida Fantástica
Publicado em 21/08/2019

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Foto: Anderson Ribeiro

Artur com os colegas da escola Visconde de Ribeiro Magalhães

Para a mãe de Artur, de 8 anos, Silvana Ferraz, a Corrida Fantástica, que ocorreu ontem, no Militão, foi um momento de muita emoção. Seu filho correu, na cadeira, lado a lado dos colegas da escola municipal Visconde de Ribeiro Magalhães. Em todo o percurso, bem como antes e após a corrida, as crianças gritaram o nome do amigo e comemoraram quando as medalhas foram distribuídas. Todos ganharam. À reportagem do Jornal Folha do Sul, ela comentou que emoção é ver todo o carinho e o amor, por meio da iniciativa. "Por eles estarem juntos com o Artur nesse momento, que é muito mágico para todos nós, pais, que acompanhamos diariamente a rotina dele na escola, o carinho que os colegas têm com ele, onde a inclusão é feita de verdade", disse, ao definir que estava encantada. 

A professora da AEE (Atendimento Educacional Especializado), Aline Gonçalves, contou que a ideia surgiu em uma reunião e foi abraçada por todos da comunidade escolar. E ela garantiu que os coleguinhas de Artur - mais de 10 estiveram na corrida - estão sempre juntos dele, ajudando, participando e isso é algo que ocorre no dia a dia. "A escola toda é muito engajada e parceira", ressaltou. 

A presidente da Associação Bageense de Pessoas com Deficiências, Cimone Gonzales Halberstadt, falou sobre a importância da ação ao garantir que os participantes se prepararam durante todo o ano para a corrida. "Aqui todas as deficiências são acolhidas e se transformam em especificidades. Não é um impedimento se está com a cadeira:  Seja qual for a condição é muito bem-vindo", elucidou. "É um dia onde eles são o centro das atenções na casa, na escola. Os demais colegas, hoje, estão organizados e o motivo é a pessoa com deficiência. E isso é muito importante. Esse evento é pensado para eles", acrescentou. 


A luta pela acessibilidade

Questionada quanto à acessibilidade, se a cidade está mais preparada para aquelas pessoas com algum tipo de deficiência, Cimone informou que, se a parte estrutural for considerada, Bagé deixa, sim, muito a desejar. Mas enfatizou que a Rainha da Fronteira não está entre as piores cidades do Estado neste quesito. E isso, garantiu, é o que faz com que ela tenha maior vontade de apontar as demandas e, sobretudo, colaborar com a solução.

A acessibilidade nas calçadas está entre os pontos mais urgentes. "Não tem mais espera, precisamos dessa acessibilidade", ponderou, ao fazer um apelo também às lojas quanto à necessidade de rampas. E ela argumentou que o governo, é claro, tem que fazer sua parte e estipular metas para que as calçadas sejam adequadas. Cimone explicou que a questão das calçadas é relevante porque é por meio delas que as pessoas irão se deslocar para fazer as compras ou irem até os locais de trabalho - e isso são apenas exemplos. 

Mas ela ponderou que a luta, atualmente, é pela aceitação, que começa com a família. "Quando há aceitação, nós partimos para a sociedade", argumentou. E garantiu que há um olhar, pela gestão, para construir políticas públicas. "A questão da acessibilidade não mudou muito, mas nós estamos ganhando o principal, que é o atitudinal", apontou. E lembrou que para mudar uma cidade, para torná-la mais acessível, o gestor não pode estar sozinho: é preciso união; é preciso "pautar, lutar, mostrar os caminhos". E, por fim, defendeu que é importante se mostrar disposto a ajudar. "Uma pessoa com deficiência é como qualquer outra que precisa de todas as esferas. Quando todos fizerem sua parte, vamos conseguir mudar. E eu acredito que sim, muito em breve, vamos estar vendo essa mudança", disse. 

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