Em defesa da rastreabilidade
Publicado em 10/08/2013

Rural

Foto: Vilmar da Rosa/Seapa

Evento em Dom Pedrito abordou o tema

Promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio e o Sindicato Rural de Dom Pedrito, o Workshop Identificação e Rastreabilidade, realizado ontem, na Capital da Paz, buscou ampliar o debate sobre o tema. 
O principal foco do encontro foi apresentar o trabalho, já em desenvolvimento, neste sentido, no Uruguai e em Santa Catarina: questões como o modelo adotado, as dificuldades e conquistas obtidas na implantação dos seus projetos. Ambos os lugares trabalham com sistema de identificação individual de bovinos. O estado catarinense instalou a iniciativa, em 2008, um ano depois de obter, de organismo internacional, status de zona livre de aftosa. Com um rebanho estimado em quatro milhões de cabeças de gado, identificados em cinco meses de intenso trabalho, distribui os brincos gratuitamente aos produtores, em sua grande maioria de pequenos e médios. Por ano, produz 116 mil toneladas de carne bovina.
Maria Gonzáles, do Ministério de Ganaderia, Agricultura e Pesca do Uruguai, é otimista quanto à iniciativa gaúcha, a partir da experiência de seu país. A parceria público-privada é um dos pontos que dão sustentação à medida uruguaia.
“O funcionamento 24 horas por dia, durante os 365 dias do ano, permite um maior controle, eficiência e qualidade do sistema”, avalia. Um exemplo são os números: a exportação chega a 75% do produzido, representando 25% da economia. “Há 40 anos, começamos um processo gradual de organização do rebanho. O nosso histórico nos possibilitou, hoje, a ter um status reconhecido no mundo todo. Os mercados externos são muito exigentes, principalmente o Japão, com quem estamos em tratativas para exportação”, afirma.
Entre 2012 e 2013, 1,6 bilhão de dólares em carne foi vendido para fora do país. Os animais, tal qual em SC, recebem um brinco e um bóton eletrônico. Cada um contém informações completas do animal, que podem se acessadas pelo produtor via web.

Proposta do Estado
Vale lembrar que, na quinta-feira, o secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi, entregou, ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Pedro Westphalen, o Projeto de Lei que institui o Sistema de Identificação e Registro de Animais no Estado do Rio Grande do Sul.
Segundo Mainardi, o tema da identificação individual do rebanho vem sendo discutido amplamente pela Câmara Setorial da Carne, uma vez que a legislação federal permite interpretações diversas no que diz respeito à rastreabilidade, mas o projeto visa, principalmente, a questão sanitária e a qualidade da carne que está chegando até a mesa do consumidor. “A identificação por animal permite ao produtor a gestão estratégica da sanidade e do rebanho como um todo. Aqui no Pampa, temos uma carne excepcional, mas um eficiente sistema de controle sanitário animal só se faz com identificação individual”, defende.
O rebanho existente no RS, atualmente, é estimado em 13 milhões de cabeças bovinas e bubalinas. A medida propõe a identificação dos animais por época de nascimento, com brincos fornecidos pelo Governo do Estado, financiados com o resultado das políticas de combate ao abigeato, ao abate clandestino e à sonegação fiscal, que a rastreabilidade deverá ajudar a reduzir.

Entenda mais
Discutida na Câmara Setorial da Carne, há pelo menos dois anos, a rastreabilidade trata-se da capacidade de investigar o histórico, aplicação ou a localização de um animal ou produto por meio do registro de informações.
Na indústria de alimentos, permite, rapidamente, o resgate das informações do produto e do seu processo de produção. Do campo à mesa do consumidor, garante a segurança alimentar da população.

Deixe sua opinião