Economia de água é insuficiente após dois meses de racionamento
Publicado em 22/05/2020

Geral

Foto: João A. M. Filho

Transbordo de área de extração à Emergencial acontece desde 29 de abril

A Rainha da Fronteira completa hoje dois meses de racionamento de água em razão da estiagem. O levantamento realizado pelo Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb) em sete bairros apontou que praticamente não houve economia no consumo do recurso no município.

O estudo, realizado pela comissão especial formada por oito técnicos da autarquia para coordenar as ações de enfrentamento à estiagem, apontou que entre os bairros Brum, Centro, Damé, Floresta, Kennedy, Santa Cecília e Tiaraju registraram economia abaixo do esperado, especialmente para o Centro, que consumiu ainda mais água que no mesmo período de 2019. Por outro lado, o Damé, na zona Oeste, foi o que mais registrou adesão da população. “Não adianta haver racionamento se a comunidade não se conscientizar que é um momento crítico para o abastecimento de água de Bagé. É preciso economizar ao máximo e usar o mínimo possível”, disse o engenheiro civil Emílio Mansur, líder do comitê.

A proporção de consumo entre os três primeiros meses de 2019 e 2020 mostrou que neste ano, mesmo com a baixa nos reservatórios e a restrição no abastecimento, em 80% dos clientes dos bairros pesquisados pelo Daeb registraram aumento no consumo em relação ao ano anterior. “Uma leve diminuição no consumo foi registrada somente a partir de abril, porém, ainda estamos fazendo a análise dos dados”, comentou.

Níveis

Conforme Mansur, atualmente, a estimativa da autarquia é que cidade conta com menos de 30% do volume total nos três reservatórios – barragens do Piraí, Sanga Rasa e Emergencial. Sem contar a chuva que caiu nas últimas horas, nossas reservas são capazes de suprir a demanda somente pelos próximos 40 ou 50 dias.

"Por isso, aguardamos o resultado de precipitação das últimas horas e temos esperança que seja um bom volume para vermos uma melhora nos níveis”, relatou. Isso porque na quarta-feira, antes da chegada da frente fria que até as 9h de ontem registrou 20 milímetros de chuva em média sobre a cidade, a Piraí estava a 6,3 metros abaixo do nível normal, enquanto a Emergencial estava a -1 metro e a principal reserva, a Sanga Rasa, estava a -6,8 metros. “Por isso, é imprescindível economizar água. Mesmo que esta seja a melhor chuva em termos de volume que Bagé recebe desde fevereiro, é insuficiente para repor as perdas. Nossa estimativa é que esses dados estão diretamente relacionados à pandemia de coronavírus, que acabou por manter as pessoas mais tempo em casa, aumentando o consumo residencial”, alertou Mansur.

Pedreiras

Desde que ampliou o racionamento de 12h para 15h, o Daeb também lançou mão de um recurso para ampliar o abastecimento em 10%, as pedreiras. A extração e transbordo de água da pedreira localizada na região de Vista Alegre, até a barragem Emergencial, já ocorre desde 29 de abril e a autarquia pretende colocar em funcionamento a extração na segunda estrutura, localizada próxima ao campus Bagé do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul). Contudo, diferente da primeira pedreira ativada pelo Daeb, esta terá filtros e vai enviar água diretamente à rede de abastecimento. “Estamos trabalhando em uma segunda estação de tratamento e nosso desafio é que a água extraída da pedreira próxima ao IFSul tenha a mesma qualidade da Estação de Tratamento de Água”, disse.

Projeções

Na segunda-feira, o comitê de enfrentamento à estiagem do Daeb deve realizar nova reunião, onde poderá definir uma nova extensão no horário de racionamento, ou até mesmo a redução do tempo sem água nas adutoras. Tudo isso depende de quanto será o volume acumulado de chuva até domingo. “O corte no abastecimento pode passar para até 24 horas, ou até ser reduzido conforme o levantamento da chuva. Por isso, estamos monitorando a situação e torcemos que as previsões de 100 milímetros se concretizem”, disse.

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