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É perigoso deixar bola picando na área
Publicado em 12/09/2019

Política

Nenhum jogador, craque ou medíocre, desconhece este ditado popular que abre a coluna de hoje. Zagueiro bota pra fora e atacante faz o gol. Começo comparando futebol com a política após constatar que ‘a guerra continua’ entre o Executivo e Legislativo. Antes de mais nada temos sempre que enfatizar que são poderes diferentes, cada um com seu orçamento, onde se inclui outro poder, o Judiciário. Mas tudo sai do mesmo bolo de arrecadação. Tem que haver respeito entre os poderes porque isso é a base da democracia. Mas não está havendo. O presidente Bolsonaro tem ‘cutucado’ o Legislativo com vara curta. Cada vez que vem a público causa uma ‘encrenca’. Não tem nenhum receio de dar sua opinião. O que tem provocado reações as mais variadas. Alguns afirmam que ele agora é o presidente de todos os brasileiros. O que eu concordo. Agora criticar porque ele não deveria dar sua opinião isso eu não concordo. Ele não deixa de ser cidadão, afinal de contas, foi com esses pronunciamentos polêmicos que convenceu o eleitorado a votar nele. Já expressei minha opinião sobre sua estratégia. Ele atrai tudo para ele enquanto sua equipe trabalha na aprovação de seus projetos de governo. E aí reside a maioria dos problemas, sabendo que precisa maioria no Legislativo segue em guerra com o poder e contraria os próprios componentes de base. Mas tem outro detalhe, enquanto ele polemiza atrai a atenção da imprensa e centraliza grande parte do noticiário. Isso tem tido reflexos nas denúncias do jornalista Glenn, que tem diminuído a intensidade dos vazamentos. Como é um jornalista experiente, espera as brechas e ataca, como foi o caso do último domingo, que abordei na última coluna. Pois bem, o que ele não pode é controlar os filhos, segundo declarou. Não pode ou não quer? Eis a questão. Pois bem, um dos filhos causou reação de algumas forças políticas. O que ele disse de tão grave causando reações? Leiam:

Carlos diz que sua fala foi distorcida

De acordo com o vereador, Carlos Bolsonaro, nas matérias veiculadas pela imprensa, ficou parecendo que ele defende a ditadura. Então, vamos repetir o que ele disse. “O que falei: por vias democráticas as coisas não mudam rapidamente. É um fato. Uma justificativa aos que cobram mudanças urgentes. O que jornalistas espalham: Carlos Bolsonaro defende ditadura. CANALHAS!” Ele comparou a agilidade com que as coisas se resolviam no passado (sem mencionar o regime de governo) com o atual. Na ditadura, bastava determinar e já era executado. Mesmo que passasse pelo congresso que era biônico, portanto nomeado pelo governo ditatorial. Era só pró- forma, ou ‘para inglês ver’. Agora não, tem que negociar. E negociar quer dizer ‘voltar à política velha’. A reforma da Previdência já nos mostrou que o governo entrou no velho esquema, que ele tanto combateu. A declaração do filho gerou críticas. O vice-presidente, hoje interino, Hamilton Mourão, defendeu que a democracia é um pilar da sociedade. O presidente do senado, Davi Alcolumbre, disse desprezar qualquer tipo de enfraquecimento da democracia. ‘No Senado, o parlamento brasileiro, a democracia está fortalecida, as instituições estão todas pujantes, trabalhando a favor do Brasil. Então, uma manifestação ou outra, em relação a esse enfraquecimento tem o meu desprezo”. Armada mais uma polemica. Para mim, proposital, tentando atrair atenção da imprensa, com efeito imediato sobre a continuidade das denúncias do jornalista Glenn, enquanto o pai está hospitalizado quem assumiu foi o Carlos. Agora, como abordo no título que encabeça a coluna de hoje, não pode deixar a ‘bola picando’. Carlos poderia ter focado em outros temas que envolvem o congresso. A compra e venda, tão contrariada pelo pai, mas que a força da democracia o obrigou a aderir. Ai, garanto, teria a aprovação de grande parte da população. Nem o governo e muito menos os congressistas terão o respaldo dos eleitores. E podem crer, nas eleições municipais teremos uma ideia precisa do quadro atual. Se tudo o que foi feito até aqui terá repercussão favorável aos candidatos que apoiam o presidente. Concordam ou não?
 
 

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