Dois anos de uma tragédia
Publicado em 27/01/2015

Editorial

por Felipe Valduga
felipelvalduga@gmail.com

Hoje, quarta-feira, dia 27 de janeiro de 2015, completam-se dois anos exatos de um acontecimento que, infelizmente, passou a integrar uma parte triste da história do povo gaúcho. Foi na madrugada deste dia, em 2013, que um incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, vitimou 242 pessoas e deixou mais de 600 feridas.
O susto, na época, foi tão grande que ocupou a principais manchetes pelo planeta. E não era para menos. São poucos, mas poucos mesmos, os registros em que um número tão elevado de vidas são perdidas – ainda mais dessa forma.
A comoção, por obviedade, foi o primeiro sentimento que atingiu os corações de parentes, conhecidos e demais pessoas chocadas com tudo aquilo, que mais parecia um filme de ficção. Passado isso, a revolta assumiu o posto. “Por que isso aconteceu? Quem são os culpados? Alguém precisa pagar por isso.”
E eis que os órgãos de segurança, a Justiça, os próprios governos, passaram a adotar um sistema de fiscalização mais rígido junto aos espaços destinados a festas. Tanto que, em Bagé, por exemplo, sete locais precisaram ser interditados até se adequarem e poderem abrir suas portas novamente.
E, quem sabe, aquele trágico acontecimento não acabou impedindo que tantas outras vítimas viessem a sofrer do mesmo fato? É triste, mas é por aí.
No Brasil, e no mundo, infelizmente, somente grandes catástrofes acabam unindo as pessoas em busca de um bem maior. A própria história nos mostra isso, e não são raros os exemplos. No mais recente, aliás, o povo francês demonstrou uma força de união há tempos não vista para protestar contra o ataque ao jornal Charlie Hebdo. Foram às ruas e esgotaram a primeira publicação posterior, de três milhões de exemplares.
Triste, contudo, é que, após dois anos daquela que pode ser considerada a maior tragédia deste milênio para o Rio Grande do Sul, os agentes governamentais ainda não tenham concluído a instituição da chamada Lei Kiss, em sua integralidade. O trabalho, é claro, precisa ser reconhecido. Mas, mesmo assim, para aqueles que viram a vida de filhos, netos, irmãos ou primos acabando, a dor permanece e exige, sempre, mais agilidade. É preciso evitar, ao menos, a repetição de erros, de tristezas, de perdas.

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