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Cinema em Bagé
Diretora resgata livro de Pedro Wayne para compor ambiente do filme Latorre: alma, terra e sangue
Publicado em 08/09/2014

Cultura

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Eron Vaz Matos

Desde que o cinema optou por contar histórias e ficções, a literatura serve de fonte de inspiração para a sétima arte. No caso do curta-metragem Latorre: alma, terra e sangue, dirigido por Adriana Gonçalves e que começou a ser rodado no último dia 4 e terminou ontem (dia 7), não será diferente. Além do livro do bageense Cândido Pires de Oliveira também servirá como referência o livro “Lagoa da Música” do saudoso escritor Pedro Wayne.

O livro de Pedro Wayne resgata o imaginário do pampa gaúcho e articula história e ficção, oralidade e literatura escrita e é capaz de recriar acontecimentos rememorados com frequência. Para contextualizar a Revolução Federalista (1893-1894), ele explora em detalhes a flora e a fauna que cercam um dos cenários do filme: a Lagoa da Música. A obra que conduz leitores pela riqueza da história da região, também é marcada pelas peculiaridades do bioma pampa. Ao mesmo tempo, adota uma narrativa que se aproxima do prazer de ouvir e contar causos. Na lenda, conta que, entre os degolados da região do rio Negro (uma prática que tornou-se característica da violenta revolução entre gaúchos), encontrava-se um rapaz que era o tocador de clarim da sua tropa. Durante o episódio da degola protagonizado pelo soldado maragato Adão Latorre, mesmo ferido de morte, ele ainda encontrou forças para correr até a lagoa levando seu instrumento musical, desaparecendo nas águas escuras que o engoliram como num passe de mágica
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Escritor regionalista avalia referências
Para o escritor bageense Eron Vaz Mattos, a expectativa do curta-metragem é das melhores, porque os personagens da história são resgatados como, por exemplo, o Adão Latorre. “O túmulo dele é procurado por pessoas de todos os lugares, mas muitos não sabem quase nada sobre ele”, enfatiza.
É um empreendimento que consiste na divulgação e na manutenção da arte e da cultura do sul, que vem sendo resgatada pelos artistas gaúchos. “E sei também da qualificação da Adriana Gonçalves e do pessoal que trabalha com ela, são idealistas e gostam do que fazem, estou na torcida para dar tudo certo”, ressalta Mattos. A população não conhece esses personagens, afirma: “um registro assim traduz para as pessoas quem foram esses grandes nomes da cultura gaúcha”, pontua. E a obra popularizada através de Pedro Wayne, no livro “Lagoa da Música”, conta que até hoje o soldado morto gosta de tocar o seu clarim nas noites de lua cheia, o que confere à lagoa a fama de lugar mágico, de onde emergem notas musicais que ninguém consegue explicar de onde vêm.

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