DIA MUNDIAL DOS POBRES
Publicado em 23/11/2019

Opinião

No último domingo, 17 de novembro, foi celebrado o “Dia Mundial dos Pobres”.  Essa data foi uma indicação do papa Francisco para a Igreja Católica do mundo inteiro. A proposição foi apresentada ao final do Ano da Misericórdia, em 2016, fruto da solicitude de Francisco para com os pobres e necessitados. 
Inspirado nas palavras do salmo 9, versículo 19 – “A esperança dos pobres jamais se frustrará” – o papa escreveu sua mensagem e identificou com clareza aqueles que são os pobres deste tempo: “Todos os dias encontramos famílias obrigadas a deixar a sua terra à procura de formas de subsistência noutro lugar; órfãos que perderam os pais ou foram violentamente separados deles para uma exploração brutal; jovens em busca duma realização profissional, cujo acesso lhes é impedido por míopes políticas econômicas; vítimas de tantas formas de violência, desde a prostituição à droga, e humilhadas no seu íntimo. Além disso, como esquecer os milhões de migrantes vítimas de tantos interesses ocultos, muitas vezes instrumentalizados para uso político, a quem se nega a solidariedade e a igualdade? E tantas pessoas sem abrigo e marginalizadas que vagueiam pelas ruas das nossas cidades?”
Não se nega que existe expressiva sensibilidade para com os pobres em nossa sociedade. Igrejas de diferentes denominações, religiões, associações filantrópicas, entidades de classe, grupos de amigos e famílias se organizam para atender demandas de emergência ou mesmo acompanham com regularidade os mais pobres. Quantos são, por exemplo, os asilos mantidos pela sociedade civil e pelas igrejas? Como medir a generosidade do povo brasileiro que faz campanhas para doar cestas básicas às famílias pobres? Não obstante tudo isso, os pobres são muitos e seu número tem aumentado significativamente.
A população em situação de rua cresce. Perambulam pelas cidades os pobres que acabaram de ter alta hospitalar e não têm recursos para voltar às suas moradias; o mesmo acontece com encarcerados, que obtendo a liberdade, tantas vezes, não têm para onde ir. As obras de caridade e solidariedade se multiplicam, mas não são suficientes. Há programas de governo e políticas públicas para diminuir a desigualdade social, mas parece haver pouca sensibilidade para o clamor dos pobres.
A fé cristã ensina que Deus não abandona os pobres. Jesus Cristo se identificou de tal modo com eles que afirmou: “Tudo o que fizerdes a um desses pequeninos [faminto, sedento, enfermo, nu, encarcerado…] a mim o fizestes” (Mt 25,40). Nenhuma pessoa cristã poderia se esquecer de que “os pobres são pessoas, são nossos irmãos”. Quando saímos na rua encontramos: crianças, jovens, idosos, famílias inteiras que esperam uma palavra e uma mão amiga. “Os pobres salvam-nos, porque nos permitem encontrar o rosto de Jesus Cristo”, como diz papa Francisco.

Sim, os pobres parecem resistir por fé. Vigora em muitos a certeza de que Deus dá o frio conforme o cobertor. Mas tal crença, de modo nenhum, isenta da responsabilidade de todos de trabalhar pela promoção da dignidade e cidadania dos empobrecidos. 

“Com toda a certeza vos asseguro, qualquer pessoa que vos der de beber um copo de água, pelo fato de pertencerdes a Cristo, de maneira alguma perderá a sua recompensa” (Marcos, 9.41). 

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