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Dia de campo proporciona troca de experiências e apresenta tecnologia de ponta
Publicado em 12/03/2020

Rural

Foto: Márcia Sousa

Churrasco de cortes nobres foi servido aos participantes

A soja, que se tornou referência na região e uma das principais fontes da economia da Campanha, foi o foco da segunda edição do Dia de Campo realizado, ontem, na Agropecuária San Diego, localizada na BR-293, KM 202. O evento promovido pela Associação dos Agricultores da Região da Campanha (Agricampanha) reuniu produtores e profissionais de diferentes segmentos interessados na cultura. Cerca de 200 pessoas tiveram a oportunidade de conhecer mais sobre as diferentes variedades de soja, bem como as que mais se adaptam ao clima da região. Além disso, puderam ter contato com empresários que extavam expondo possantes implementos agrícolas, como colheitadeiras e tratores, além de outras tecnologias para a lavoura.
Toda uma estrutura foi montada para acolher o público; tudo planejado de forma meticulosa. Os participantes visitaram as diferentes estações (estandes), instaladas no meio de uma lavoura de soja, onde recebiam orientações sobre as variedades da cultura.
Enquanto as atividades ocorriam em torno na lavoura e dos estandes das empresas, um grupo de assadores se revezava no preparo do churrasco de cortes nobres, servido de forma gratuita aos participantes.


Propriedade referência
A Agropecuária San Diego tem 950 hectares. A propriedade, que trabalha com tecnologia e genética de ponta, tem como carro-chefe a soja e a pecuária, com as raças Angus, Braford e Hereford.
À reportagem do jornal Folha do Sul, Thiago Aléssio, um dos proprietários, disse que o dia de campo - realizado pela segunda vez na agropecuária - é a oportunidade de mostrar o que de bom é feito na propriedade em termos de manejo e consórcio da soja com a pecuária, por exemplo.
O pai de Thiago, Idelmar Aléssio, é um dos precursores da soja na região da Campanha. Ele veio de Cruz Alta e começou a trabalhar em Joca Tavares.
Sobre o dia de campo, Thiago Aléssio argumentou que um evento como esse é fundamental, pois, segundo ele, a fronteira se difere das demais regiões do Estado. Portanto, é a oportunidade de mostrar e discutir o que mais se adapta à realidade daqui. “Tem que ser focada na realidade”, observa.
Sobre a estiagem que afeta de forma drástica a safra de soja, Aléssio é firme ao dizer que o produtor tem que fazer reservas para enfrentar as adversidades climáticas. Nessa linha, ele apontou o manejo da cultura, a redução e custos e investimentos por parte do produtor.
A Agropecuária San Diego tem uma extensão de 3,5 mil hectares de soja cultivada.
Quebra drástica na produção
O presidente da Agricampanha, o produtor Gesiel Porciúncula dos Santos, comentou que um dos objetivos do dia de campo é tratar sobre os ciclos de variedades da soja e ver a que melhor de adaptar à região. Segundo ele, no evento, o produtor olha o que está acontecendo, interage e tira as conclusões sobre a melhor forma que vai enfrentar a seca.
Santos contou que no ano passado foi realizada uma manhã de campo e, desta vez, a demanda foi por um dia de campo. Na primeira edição, foram em torno de 170 participantes; este ano, mais de 200. Também aumentou de forma considerável  a participação de expositores e apoiadores do evento, ao todo, foram 32.
O que mais preocupa os produtores da oleaginosa é a quebra na lavoura em razão da estiagem. Mesmo diante dessa realidade, é preciso falar da importância da agricultura, pois é a locomotiva que move a economia. Além disso, Santos afirmou que a produção não pode parar, porque é ela que alimenta a nação.
O presidente da Agricampanha lembrou que as cinco últimas safras de soja têm sido frustrantes na região. Em 2016, a cultura foi afetada pela chuva e nos outros anos pela seca. “O produtor vem no oxigênio”, falou.
Santos relatou que a perda, até o momento, nos municípios de abrangência da Agricampanha (Bagé, Aceguá, Hulha Negra, Candiota, Pedras Altas e Lavras do Sul) é de 40% a 50% na lavoura de soja, o que, segundo ele, é irreversível. “Cada dia de seca é uma casa perdida por hectares”, disse. O presidente da Associação informou que isso equivale a R$ 310 milhões em prejuízo. 
Pedido de decreto de emergência
Santos contou que os produtores estão solicitando que o município de Bagé decrete emergência, pois isso assegura ao produtor acesso aos seguros e prorrogação de custeios.
Ao ser perguntado, sobre o que fazer para enfrentar as adversidades climáticas, o presidente da associação respondeu que o produtor tem que achar maneiras para manobrar essa situação. Segundo ele, tem que ser feito com tecnologia e aplicação de variedades novas.
A exemplo do que disse Aléssio, Santos enfatizou que se não se confirmar a chuva prevista para os próximos dias, vai aumentar a quebra na safra.

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