Em função de festas de final de ano e aumento no preço da carne
Decrab intensificará fiscalização e combate ao abigeato
Publicado em 05/12/2019

Geral

Foto: Divulgação/FS

Repressão aumentou com sucessivas operações realizadas

Na região da Campanha, era costumeira no período de festas de final de ano, a incidência de crimes de abigeato. Contudo, em 2019, a expectativa é que os números não sejam expressivos devido à atuação dos órgãos de segurança. Quem destaca essa condição é o delegado titular da Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (Decrab), André de Matos Mendes. Ele é titular da Decrab, desde 21 de dezembro de 2018, e nesse ano, com a nova gestão da Polícia Civil, também acumula o cargo de coordenador estadual das Decrab’s.

Mendes enfatizou que, este período, há uma intensificação de fiscalizações e ações policiais, principalmente em função das festividades que favorecem o aumento no consumo de carne e isso pode acarretar na elevação de ocorrências de abigeato, tendo ainda o complicado da elevação histórica no preço da carne. 

Ele apontou que sempre que ocorre uma suba anormal no preço de um produto pode resultar na incidência de atividades ilegais. “Essa é nossa grande preocupação, mas nós estamos atentos. Trabalhamos para frear eventuais atividades ilícitas; com as ações policiais, demonstramos que aqueles que resolverem partir para a ilegalidade terão o combate devido, tanto no ponto de vista sanitário quanto do criminal”, completou, frisando que a Polícia Civil, Brigada Militar e a Secretaria Estadual de Agricultura estão atentos no combate aos crimes rurais e abigeato.

Produtores atentos

O jornal Folha do Sul contatou alguns produtores rurais que garantiram estarem atentos nesse período do ano. Fanor Souza Alves, produtor no distrito de Palmas, reitera que tanto ele quanto outros moradores daquela região estão atentos para esse tipo de problema. “Esses casos de abigeato têm reduzido bastante, pois temos um tipo de policiamento dos delegados de Bagé que é muito eficiente”, apontou o produtor. Já o morador da Coxilha do Aedo, Éberton Urrutia, também comentou sobre estar atento à situação. “A preocupação existe em virtude dessa situação e de que no final de ano sempre aumenta esse tipo de ocorrência.  Temos que ficar atentos”, disse.

Números positivos

Conforme o delegado Mendes, os índices são positivos no tocante ao combate ao abigeato e a respeito do funcionamento das Decrabs. “Se comparmos o primeiro quadrimestre deste ano, com o mesmo período de 2016, quando não tínhamos atuação especializada, encontramos uma redução de 52% na incidência do crime de furto abigeato”, destacou. Além disso, ele alertou a respeito da importância  do registro policial, impedindo a cifra negra (refere-se à porcentagem de crimes não solucionados ou punidos, à existência de um significativo número de infrações penais desconhecidas oficialmente) e permitindo que a polícia trabalhe com a estatística próxima da realidade.

Operação Regresso

Essa semana, por exemplo, os policiais prenderam oito pessoas durante a Operação Regresso, que recebeu esse nome por ter sido o retorno de uma modalidade de abigeato (quadrilha que utilizando caminhões furta grande quantidade de animais bovinos de uma só vez), que estava praticamente extinta desde 2017. “Inclusive, a partir dessa ação, acreditamos que nesse final de ano – que é um período onde sempre intensificamos as fiscalizações e as ações policiais-, porque sabemos que as festividades demandam muito o consumo de carne e isso pode aumentar as ocorrências de abigeato. Ainda tem o complicador da elevação do preço da proteína”, destacou.

Crime que afeta toda a sociedade

Os crimes de abigeato são caraterizados por serem praticados no período noturno. Visto que, à noite, há dificuldades de enxergar os criminosos. Além de apresentar pouca vigilância no campo, muitos proprietários não monitoram os rebanhos.
Assim, abigeatários invadem as propriedades rurais, furtam animais ou carneiam, retirando apenas as partes mais valiosas. Além de favorecer o comércio de carnes não fiscalizadas, causam riscos à saúde dos consumidores. Uma vez que não houve o procedimento adequado de abate dos animais. Contudo, esse cenário não afeta apenas os produtores rurais que acumulam sistematicamente prejuízos econômicos, ocasionados pelos furtos vivos e abates de animais no campo.

A sociedade se torna refém dentro de um contexto, pois o abigeato, tanto  nas formas de animais mortos de maneira cruel no campo, com a retirada da parte nobre da carne, quartos, paletas, lombo, bem como falta ou inexistência de inspeção sanitária em frigoríficos ou abatedouros clandestinos favorece à comercialização de uma carne disponibilizada ao consumo humano de forma irregular, sem as mínimas condições de higiene, causando irreparáveis riscos à saúde humana.

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