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CPMI MIRA NO GABINETE DO ÓDIO
Publicado em 09/12/2019

Política

A CPMI irá solicitar acesso aos IPs e dados dos computadores usados por servidores do "grupo" que compõem o dito ‘gabinete do ódio’, ligados com o vereador do Rio, Carlos Bolsonaro. Como foi matéria publicada na sexta-feira à noite, pode ser que o pedido já tenha sido efetivado. O terceiro andar do Palácio do Planalto entrou na mira das investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das fake news. Nas próximas horas, a comissão deve solicitar acesso aos IPs (uma espécie de identidade do aparelho) e dados dos computadores usados por servidores que integram o chamado "gabinete do ódio", que atuam no mesmo andar no qual o presidente da República, Jair Bolsonaro, despacha diariamente.
Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo em setembro, "gabinete do ódio" é como internamente integrantes do governo passaram a se referir ao grupo formado por três servidores ligados ao vereador do Rio de Janeiro. Os assessores, Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz, produzem relatórios diários, com suas interpretações, sobre fatos do Brasil e do mundo e são responsáveis pelas redes sociais da Presidência da República. A decisão de pedir acesso aos IPs e dados dos computadores desses servidores foi tomada depois que a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-líder do governo no Congresso, prestou depoimento na CPMI, na quarta-feira passada, acusando os assessores do gabinete de monitorar notícias falsas e as distribuir nas redes. "Vamos pedir a quebra dos IPs para localizar as máquinas. Se por um acaso tiver requerimento, e tiver provas concretas que existe computador dentro do Palácio do Planalto que faz a divulgação, é claro, pode ser quebrado. Não podemos quebrar se não tiver prova. Tendo provas, nós vamos correr atrás", afirmou o presidente da CPI, senador Ângelo Coronel (PSD-BA). Segundo matéria publicada, o Coronel afirmou que a CPMI vai apurar se há dinheiro público bancando a disseminação de notícias falsas a partir do Palácio do Planalto. "Obviamente, nós vamos correr atrás para ver se é dinheiro público que está sendo investido nessa prática. Se for, nós vamos indiciar os culpados e encaminhar para o Ministério Público Federal. E que aí se puna os verdadeiros culpados". Segundo Joice Hasselmann, o chamado "gabinete do ódio" é integrado ainda pelo assessor especial da Presidência da República Filipe Martins, que é próximo ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho "03" do presidente. O grupo, na versão da ex-aliada do Planalto, é um dos mais ativos propagadores de notícias falsas e difamações. "Estou mostrando o modus operandi, estou mostrando pessoas ganhando dinheiro público para atacar pessoas", disse a parlamentar durante o depoimento, na quarta.
A partir do depoimento da ex-líder do governo, técnicos do Ministério Público Federal (MPF), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do próprio Congresso, que atuam em conjunto com a CPI, iniciarão uma fase de aprofundamento de coleta de provas e de investigação dos fatos relatados pela deputada. "A partir daí, que se substancie a relatora. Vamos tentar fazer de tudo para fazer o banimento no País das fake news e dos perfis falsos. Não podemos mais permitir que as pessoas criem um perfil falso para atacar seus alvos. Temos é que fortalecer a democracia". Como se sabe, a sessão que ouviu a deputada Joice Hasselmann durou mais de 10 horas e foi marcada por muito bate-boca e troca de acusações entre as alas em disputa no PSL, os "bivaristas", ligados ao presidente da legenda, Luciano Bivar e os "bolsonaristas", próximos ao presidente. Todos os funcionários do "gabinete do ódio" foram convocados para prestar depoimento na CPI, mas ainda não há uma data para isso acontecer. A deputada mostrou como a operação funciona. Um único disparo de mensagens por robôs custa, em média, conforme a parlamentar, R$ 20 mil. "De maneira, digamos, legal, comprovável imediatamente, (são destinados) praticamente R$ 500 mil, de dinheiro público, para perseguir desafetos. Essa é a função do 'gabinete do ódio'. Nós estamos falando de crime. Caluniar, difamar e injuriar são crimes previstos no Código Penal", disse a deputada, que também foi alvo de ataques de bolsonaristas. Joice afirmou não saber quem financia tal cadeia de difamação, mas sugeriu à comissão que "siga o rastro do dinheiro porque estamos falando de milhões". Apesar de não apontar eventuais financiadores do esquema, a deputada declarou que boa parte das notícias falsas e campanhas difamatórias têm origem em gabinetes de políticos aliados do governo. Para a deputada Joice, Eduardo e Carlos, filhos do presidente, são os que pautam a ação do ‘gabinete do ódio’. Eles seguem seu influenciador ‘o guru Olavo de Carvalho. Que adversária o governo conseguiu! Hein!

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