No Ar
Folha do Sul
Web Rádio

Coronavírus: O desabafo de uma moradora na Itália
Publicado em 24/03/2020

Geral

Foto: Divulgação/FS

No país do povo conhecido como um dos mais alegres, ruas são desinfectadas

O drama na Itália é acompanhado pelo planeta como apreensão e dor. O país é o mais afetado da Europa pela pandemia do coronavírus. Os relatos, que vêm do outro lado do Oceano Atlântico sobre a aflição dos italianos, são comoventes. 
Um bageense vive naquele país, Tarcísio Nunes (Guga). A mulher dele, Mauren Moraes de Oliveira, relatou para o jornal Folha do Sul como é viver em uma situação sem precedentes como essa. O casal mora na cidade Sestri Levante, na Província de Génova, região da Ligúria.
Mauren contou que a forma é ficar em casa, que somente Guga sai para ir ao mercado e farmácia. O restante do comércio como lojas, cabeleireiras, estéticas, restaurantes, bares e cafeterias estão fechados. “Não podemos passear, pois se estivermos passeando a polícia aborda, inclusive, corremos o risco de sermos multados e até presos. Não podemos sair da cidade”, frisou.
As aulas da filha do casal são on-line. “O restante do nosso tempo, preferimos não focar na tragédia e, sim, perceber o lado bom de tudo isso, o aprendizado e o crescimento pessoal para cada um de nós”, pontuou.
Mauren disse que a família faz tudo o que dá para fazer do trabalho on-line. Contou que eles assistem filmes, vídeos e leem; ela pratica yoga e mediação, além de fazer pinturas. Até uma festa realizaram na sala de casa, inclusive, com direito a karaokê.
“Mas o sentimento, muitas vezes, é de estagnação, de impotência, de incerteza. Aí conversamos e vemos como Deus é bom por ter nos preparado de alguma forma para enfrentarmos tudo isso e não pirar”, disse.
Mauren comentou que há outros brasileiros que moram na cidade e que conversam pelo WhatsApp. Segundo ela, a internet é outra ferramenta importante e indispensável nesse momento, pois conforta poder falar com familiares e amigos no Brasil. “Não sabemos como será quando tudo isso passar, que tipo de sobreviventes vamos ser, mas, com certeza, alguma coisa irá mudar em cada um de nós”, acentuou.
Mauren confidenciou que hoje consegue perceber melhor como se sentiram as pessoas na época da guerra e de outras pandemias. “Do que adianta estar num paraíso e não sair de casa; de ter carro e não poder tirá-lo da garagem... somos insignificantes, mediante a tudo isso. Nos mostra que o ter, sem o ser, não serve para nada. Quem não tiver consciência do que está acontecendo no mundo e que todos estão no mesmo barco, acabará morrendo pela ignorância”, apontou.
Ela observou que, geralmente, os vírus se propagam nas classes menos favorecidas, exterminando grande parte da população, mas que esse começou pelas pessoas que podem viajar e circulam pelo mundo, o que a leva a acreditar que talvez, por isso, tenha ganho mais espaço na mídia mundial.
O leitor do Folha do Sul pode conferir o depoimento de Guga direto da Itália na página do jornal no Facebook.

Deixe sua opinião