Contraponto pluviométrico
Publicado em 14/01/2014

Editorial

Foto: Divulgação/FS

Felipe Valduga
felipelvalduga@gmail.com

A chegada do verão, na Campanha gaúcha, tradicionalmente representa um prenúncio de seca. É nesta época que a escassez de chuvas compromete a produção primária (quando a mesma não possui sistemas de irrigação) e, ainda, baixa os níveis das barragens que abastecem, por exemplo, a Rainha da Fronteira. Os resultados disso, muitas vezes, tornam-se perceptíveis através dos racionamentos.
Esta questão faz com que a incidência de chuvas, mesmo em grandes quantidades, seja um desejo “quase” geral. Afinal, ninguém quer que nada verta das torneiras. Tudo torna-se difícil. Um simples banho passa a exigir programação.
Mas não é este o cenário atual. As chuvas do último final de semana, somadas com as já registradas no mês, aparentemente, foram suficientes para garantir o abastecimento da população até o fim da estação. Por outro lado, o índice pluviométrico acima do esperado trouxe, com ele, contrapontos nada agradáveis.
A estrada que liga Bagé a Lavras do Sul, que passa por uma obra de asfaltamento de 22,7 quilômetros – dos cerca de 80 totais – sofre com as chuvas. O excesso de terra na pista acaba se transformando em barro e torna o trajeto ainda mais difícil para os motoristas. O mais recente transtorno ocorreu ontem, quando dois ônibus (um deles na foto) responsáveis pelo transporte entre as duas cidades acabaram atolando. Vale lembrar que não foi a primeira vez que isso ocorreu. Houve, inclusive, a desistência da empresa em utilizar o trecho em algumas oportunidades.
Outro empecilho causado pela chuva atingiu residências em Bagé. No bairro Dolores, um problema de vazão em um bueiro fez com que a água ameaçasse os moradores próximos.
E o que ambas situações têm em comum, além de serem afetadas quando chove acima do normal? Simples. Carecem de alternativas estruturais. Se na estrada a demora no andamento dos trabalhos torna a vida dos motoristas cada dia mais difícil, o problema na zona urbana da Rainha da Fronteira já poderia ter sido facilmente solucionado. Às vezes – muitas – esse é o preço pago pela falta de agilidade.

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