Contraponto - 16-10-19
Publicado em 16/10/2019

Opinião

Na coluna Papo de Elevador, no dia 9/10/19 do jornal Folha do Sul, foi feita uma referência ao jornal Correio do Sul. Querendo ou não, na condição de ter sido seu último proprietário, as afirmações me atingem ou envolvem de uma maneira ou de outra. Na nota “Jornal com apoio”, o autor afirma que “o CS tinha apoio - imensamente maior - ao que tem hoje o Folha do Sul. E mais: que bastou terminar o governo Mainardi e o jornal fechou no mesmo dia”. Repete-se aqui velhas práticas do mau jornalismo: de não saber direito do que está falando, usar meias verdades, pingar veneno pelo canto da boca e pôr o texto a favor da ignomínia do seu autor.

1. O apoio que o então prefeito Mainardi deu ao Correio do Sul foi nenhum; para isto, basta alguém se dar ao trabalho de olhar os empenhos da prefeitura na época. São públicos,  é só pesquisar. Mainardi sempre se recusou a favorecer o CS, por entender que a verba para os jornais deveria ser a mesma, justamente para não ser acusado de favorecimento. Tentei de todas as formas, com todos os argumentos, inclusive o de que o CS estava falindo, quebrar esta regra e conseguir mais verba e nunca consegui.

Por sinal, quem olhar as faturas da época jamais vai encontrar empenhos de valor nem parecido com o que a atual administração paga atualmente, e sem que nenhum centavo vá para o concorrente, por conta de uma licitação feita. Mainardi nunca fez licitação, dentro do princípio de dividir a verba com os dois jornais equilibradamente.

 2. Quanto a ter terminado o governo Mainardi (31/12/08) e o CS fechado no mesmo dia, os mesmos fatores se repetem. O Correio do Sul estava falido há pelo menos dois anos. No meio do ano de 2008, tomei a decisão de fechar em 31/12. Por quê? Porque teria terminado o ano, teríamos aproveitado o faturamento de Natal para amenizar algumas coisas, era um momento mais vazio e mais de 30 pessoas não perderiam o emprego antes do Natal (grande coisa, mas ao menos isto).

Sobre esta questão e sobre o sugerido nas entrelinhas do texto, ao invés de argumentar, recomendo ao leitor que pergunte para as seguintes pessoas, se em algum momento ouviram de mim recomendação ou ordem de direcionar notícias para favorecer ou adular o governo de então, a começar pelo próprio colunista e também: a Márcia Sousa (atual editora do Folha do Sul), José Higino Gonçalves, Edgar Abip Muza, Paulo Ferreira, Emanuel Muller, Ana Paula Caneda, Angelina Britto (a única pessoa que sabia que o jornal iria fechar em 31/12, desde o momento em que a decisão foi tomada), João Batista Lencina, Luciano Madeira. Qualquer um destes pode responder a esta pergunta; faço questão que ela seja feita; não tenho dúvida da resposta.

O Correio do Sul faliu por ser uma empresa sem capital, com uma situação fiscal incontornável, e por ter enfrentado um concorrente com práticas de mercado indecorosas, que tinha por trás uma instituição que lhe garantia a sobrevivência, afora os erros e limitações de sua última administração, que reconheço plenamente. 

João Batista R. Benfica

Jornalista - R.P. DRT nº 14.835

 

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