Conflito entre EUA e Irã e impactos no agronegócio brasileiro
Publicado em 13/01/2020

Rural

Marcelo Lopes Vieira, advogado no Escritório Abero&Vieira Advogados Associados, com pós-graduação em Direito
Processual, do Trabalho e Direito Ambiental.  

O apoio do governo brasileiro ao ataque americano que matou no Iraque, o general Qassim Suleimani, principal militar iraniano, preocupa o setor do agronegócio brasileiro, uma vez que o Brasil é o maior exportador de produtos agropecuários para o Oriente Médio. Considerando as Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro (Agrostat), no acumulado de 2019 até novembro, dado mais recente de exportação por país, o Irã foi o segundo maior comprador de milho brasileiro, com 5,1 milhões de toneladas, atrás apenas do Japão. Apesar de o comércio de alimentos estar livre de sanções, caso haja restrições dos EUA, as transações bancárias de câmbio da moeda iraniana para o dólar, os exportadores brasileiros poderão ter problemas em receber o pagamento referente aos embarques de milho. O Brasil deve trabalhar pela pacificação e pela construção de mais relações comerciais no Exterior, considerando que o Irá é um comprador importante de produtos como milho, soja e carne bovina do Brasil. O setor do agronegócio representa 97% das exportações brasileiras ao Irã, sendo o maior fornecedor de alimentos para o Oriente Médio, seguido por Índia e Estados Unidos. A principal preocupação com a tensão entre EUA e Irã é o aumento dos custos de produção com a alta do petróleo e impactos na competitividade. Desta forma, precisamos incentivar o diálogo e construir políticas que preservem as relações com o Oriente Médio, considerando ser o Brasil um dos maiores exportadores de produtos agropecuários para a região. O momento é de cautela, evitando efeitos ainda mais prejudiciais ao agronegócio brasileiro.

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