Comitiva gaúcha conhece modelo uruguaio de identificação individual do rebanho bovino
Publicado em 15/08/2013

Rural

Foto: Marco Peres/EspecialFS

Identificação do rebanho abrirá portas do mercado internacional à carne gaúcha, indica Mainardi

A identificação individual do rebanho bovino uruguaio não resolveu todos os problemas da produção de carne do país vizinho, mas começou a abrir as portas para credenciar esta cadeia produtiva como uma das mais respeitadas no mundo.
Esta foi a principal lição transmitida à missão gaúcha coordenada pelo secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi, que iniciou visita de três dias ao Uruguai, na última terça-feira.
Na primeira etapa, a comitiva, integrada, ainda, pelo presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa, deputado Edson Brum, pelos membros desta comissão, deputado Aloísio Classmann e deputada Zila Breintebach, e pelo representante do Sindicato da Indústria da Carne, Zulmar Moussale, visitaram a planta do grupo brasileiro Marfrig no Departamento de Colônia, e a propriedade Lo Tero, no Departamento de São Jose, nos arredores de Montevidéu.
No frigorífico, o grupo foi recebido pelo diretor uruguaio do Marfrig, Marcelo Secco. Experiente no ramo e profundo conhecedor do mercado mundial, Secco, ex-proprietário de frigorífico, disse que o Rio Grande do Sul tem todas as condições de ocupar os mesmos espaços hoje desfrutados pelo Uruguai no mercado mundial.
"O clima, as pastagens, a genética, tudo é semelhante, por isso tenho certeza de que a carne gaúcha tem tudo para ocupar um lugar privilegiado no mercado internacional, disputando nichos que pagam mais pelo produto", disse.
No estabelecimento Lo Tero - nome em homenagem à ave quero-quero - o proprietário, Fabian Pereira, criador de 1,6 mil cabeças de bovinos - 1,4 mil de corte e as demais de leite, além de possuir 600 ovelhas e plantar trigo, milho, soja e sorgo -, foi a vez de conhecer como funciona o sistema de identificação. Assessorado por integrantes do Ministério da Ganaderia, Pereira afirmou que a ferramenta é importante, sendo fácil operar e permitir uma melhor gestão da propriedade.
Na opinião do secretário Mainardi, o Estado está no caminho certo ao propor projeto que cria o instrumento da identificação individual do rebanho.
Depois de destacar importância para os controles sanitários, o secretário afirmou que a medida permite o rastreamento da produção, condição essencial para alcançar mercados que melhor remuneram o produto, além de possibilitar a busca de fatias diferenciadas do mercado internacional.
"Aqui, por exemplo, eles têm 160 pecuaristas produzindo carne com base orgânica, que obtêm um preço até 40% superior ao pago pelo produto apenas rastreado", citou o secretário.
Na opinião da coordenadora da Câmara Setorial da Carne, Anna Suñe, também presente na missão, ficou evidente a necessidade do Rio Grande do Sul começar a identificar o rebanho. "É uma ferramenta que vai nos habilitar, por exemplo, a preencher a Cota Hilton, mercado diferenciado, que abre a possibilidade do Brasil comercializar, mediante algumas condições, entre as quais a rastreabilidade, 10 mil toneladas de carne para a Europa, a preços muito bons, o que não conseguimos atender", define.
Enquanto o Uruguai vende as seis mil toneladas que têm direito nesta cota, o Brasil não atende nem 4% do volume disponibilizado.
O grupo continuou em Montevidéu ontem, onde participou de reuniões e encontros no Ministério da Ganaderia e no Instituto da Carne.
 
Missão discute equivalência na produção pecuária
O ministro da Ganaderia, Agricultura e Pesca do Uruguai, Tabaré Aguerre, após reconhecer as semelhanças entre os modelos de exploração pecuária gaúcha e uruguaia, defendeu a formação de bloco unindo o Rio Grande do Sul e o país vizinho para enfrentar os mercados mundiais da carne.
Segundo ele, para que isso ocorra, é fundamental que o Estado avance em temas como a identificação individual do rebanho.
Aguerre destacou que o clima, o solo, o modo de criação e a genética são idênticos. “Precisamos criar uma zona de livre de circulação da mercadoria bovina para que nos tornemos mais fortes”, pregou o ministro uruguaio.
Segundo ele, o sistema de identificação permite o rastreamento de 65% das 2,2 milhões de cabeças abatidas anualmente por 12 das cerca de 40 plantas frigoríficas existentes no país. “Todo o gado é identificado, mas a rastreabilidade, a partir da indústria, é praticada especialmente para a carne exportada”, contou.
Ainda, conforme ele, em 30 segundos, após constatada alguma doença em animal que está ingressando no frigorífico, é possível saber de onde veio; em dois minutos, identificam-se todos os animais com quem o mesmo teve contato desde o nascimento; e eles ficam, a partir daí, impedidos de circular, até que exames sejam feitos. Esta, de acordo com o ministro, é apenas uma das muitas vantagens da identificação individual do rebanho.
Por sua vez, o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, posicionou-se a favor do estabelecimento de equivalências nos procedimentos. “Ao Norte, temos Santa Catarina, com todo o rebanho identificado individualmente; ao Sul, o Uruguai; por isso, está na hora de fazermos o mesmo para buscar mais e melhores mercados para a carne que produzimos", disse Mainardi.
 

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