Paralelo MP
Coluna Social 30.03.20
Publicado em 30/03/2020

Social

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Gurizada do bem: “Unidos do Bar da VII”. Projetos sociais a mil para 2020

“Certifica-te de seres fator de soma para as pessoas de cujas vidas participas”.

Cícero

 

Raio de esperança  

Em período de quarentena, assim como tantos outros “pais” de pets, sou obrigado a me armar com máscara e luvas para o “passeio necessário” – sacolinha, por favor. Assim, Gordinho (pensem Fox Paulistinha pilhado) e eu criamos uma rotina: irmos ao complexo São José, perto de casa, onde está localizada uma grutinha em honra à Nossa Senhora de Lourdes. Enquanto o cusco corretea e gasta energia, aproveito para rezar aos pés da santinha. Sábado, pela manhã, algo manifestou-se diferenciando o momento habitué. Ao reunir as dores do mundo e entregá-las à Mãe intercessora, eis que um feixe de luz rompe as nuvens e ilumina diretamente a imagem (vide foto). Ao mesmo tempo, os elementos movem-se produzindo o vento místico que faz vibrar as fibras d’alma. Para quê?! Emoção profunda. Presença santa. Êxtase de fé. Naquele momento, olho para o lado e me dou conta que estou muito próximo a outra imagem – geralmente, passa desapercebida –, Santa Bernadette. Acompanhem-me a França do século XIX... O ano, 1858. A cidade, Lourdes. Então com 14 anos, Bernadette Soubirous, fraca e debilitada pela infância miserável, disse ter visto uma “senhora” envolta por uma forte luz na gruta “massabielle” (velha rocha), junto à margem do rio Gave. Outras aparições sucederam até que a menina encheu-se de coragem e perguntou à “senhora” quem ela era. Segundo o seu relato ao pároco local, padre Dominique, a resposta foi: “Eu sou a Imaculada Conceição”, o que causou grande espanto e comoção ao padre que sabia que a moça não tinha nenhum conhecimento do dogma da “Imaculada Conceição”, recentemente promulgado pelo papa. Enquanto o assunto era submetido à hierarquia eclesiástica, cética, a menina defendeu a autenticidade das aparições com firmeza incomum para uma adolescente de temperamento humilde, obediente e longe dos padrões instrutivos da época. Foi submetida a interrogatórios, constrangimentos e intimidações. Manteve-se firme até que, na presença de uma multidão, a pedido de Nossa Senhora, cavou na lama, com as próprias mãos, fazendo surgir a fonte que, até hoje, jorra cinco mil litros de água por dia. Lourdes tornou-se, assim, um dos locais de maior peregrinação cristã do planeta. Em julho de 1866, Bernadette inicia o noviciado, faz a profissão religiosa colocando seu poder magnético a serviço da fé curando centenas de pessoas. Peço-lhes perdão pela extensa narrativa. Mas, diante do que vivi naquele momento ao rezar pela cura do planeta descobrindo, em seguida, que Bernadette, além de tudo, entregou-se ao ofício da enfermagem até a sua morte, é algo que não poderia esquivar-me de consagrar em testemunho. Sobretudo ao considerar o vital papel dessa profissão à manutenção da vida na linha de frente da guerra na qual estamos imersos.

 

A fome não espera

Em meio à pandemia, a caridade se manifesta em ações dignas de serem eternizadas na história e corações. Entre tais ações, a doação de 10 toneladas de arroz, efetivada pela Cerealista Coradini, Coradini Alimentos, Engenhos Pillon e Ceolin. O arroz será alocado em cestas básicas preparadas pela Defesa Civil, sob o comando do Executivo municipal que, diga-se de passagem, está mostrando-se apropriadamente ativo em meio à crise.

 

Gratidão impressa em 3D

          Ele passou por grave acidente. Entre a vida e a morte, caiu em coma profundo. Internado na Santa Casa de Bagé, recebeu cuidados primordiais que fizeram a diferença para estar, hoje, firme e forte ao lado dos afetos. O estudante de Engenharia de Produção, Gustavo Ceolin, passou por essa barra. Sobreviveu graças à vontade de continuar na escola vida, à medicina e ao amor recebido, em profusão, da família e amigos. O tempo passou. Veio a Covid-19. A porta de entrada em Bagé, a própria Santa Casa. Diante de Gustavo, a oportunidade de retribuir ao hospital tudo que fizera por ele... A exemplo de outros colegas pesquisadores, criou protótipo, em sua impressora 3D, da máscara que melhor proteção oferece aos profissionais da saúde que estão em contato direto com pacientes infectados ou casos suspeitos. Com a colaboração do amigo, engenheiro civil Jerônimo Bazerque, Gustavo produziu 13 máscaras – mais 20 a caminho – com matéria-prima doada pelo empresário Maurício Fara (leia-se Inove Comunicação Visual) e aporte do grupo de amigos do qual todos fazem parte, “Unidos do Bar da VII” – guris engajados na prática de valorosas ações. Entra em campo outro integrante da turma, Vinícius Ruas (advogado que atua pela Santa Casa) para intermediar as doações junto ao vice-provedor, doutor Carlos Eduardo dos Santos. “Com o recebimento das máscaras, consegui argumentar com profissionais do fronte, que estavam pedindo afastamento, para que ficassem conosco na luta”, comentou Carlos Eduardo. “As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo”, frase do filósofo grego, Epicuro de Samos, apropriada à beleza de tão sublime ação.

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