Colheita de azeitona em Bagé inicia em março e terá redução em produtividade
Publicado em 04/02/2020

Rural

Foto: Anderson Ribeiro

Empreendimento trabalhará na segunda extração de azeite da cidade

A região de Bagé se prepara para a segunda colheita de azeitonas. Os trabalhos deverão começar em março nos olivais, porém o 2020 será um ano com produção inferior. É o que aponta o engenheiro agrônomo e um dos sócios da agroindústria Azeites do Pampa Ltda., Emerson Menezes. Ele ressalta que essa diminuição em produtividade se dará, principalmente, em decorrência de adversidades climáticas ocorridas no ano passado. “Tivemos a falta de frio no inverno e o excesso de chuva e vento na primavera”, destaca. Conforme ele, isso fez com que os produtores da região atrasem um pouco a colheita. “Em outras regiões costuma-se colher a partir deste mês de fevereiro, mas aqui, como será um ano de pouca carga, acredito que o pessoal deverá esperar um pouco mais, até para acumular mais para extrair mais azeite”, complementa.

A diversificação da matriz produtiva com a cultura da oliveira vem sendo a tônica nos últimos anos. Investimentos em plantio e a própria construção da agroindústria, a partir da união de 10 produtores, faz com que se abra uma nova perspectiva produtiva. Isso fica evidente pela própria observação já feita por Menezes de que, mesmo com a diminuição em produtividade, a cultura ganhará mais espaço. Isso porque a previsão é de que se ultrapasse na Rainha da Fronteira os 250 hectares com a oliveira. Em 2018, eram 200 hectares plantados. A agroindústria recebeu na safra passada, algo em torno de 15 toneladas de azeitona.  

Integração para pesquisa

A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural divulgou, ontem, que está se integrando a instituições de ensino e pesquisa – como Embrapa Clima Temperado, UFRGS, UFPel, Unipampa e UFSM – para potencializar pesquisas na área da olivicultura. Uma reunião foi realizada na última semana para a formação de um núcleo que envolva as seis entidades, integrando as linhas de pesquisa e pensando em formas de transferir os resultados dos estudos para o setor produtivo. "Em um cenário de dificuldades financeiras, é muito importante otimizar recursos e pessoas para que o Estado evolua em conhecimento na área da olivicultura", diz o secretário Covatti Filho.

De acordo com a coordenadora da área de Olivicultura no Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria (DDPA/Seapdr), Andréia Mara Rotta de Oliveira, o grupo tem o objetivo de captar recurso juntos, em vez de pulverizar. "De um modo geral, no país e no Rio Grande do Sul, a pesquisa está passando por uma reestruturação. A ideia é se unir e formar uma massa crítica mais forte para que possamos atuar em conjunto”, explica.

Calendário de atividades

Em março, um comitê interno do núcleo vai se reunir para definir um calendário de atividades para 2020, a fim de pensar formatos para transferência dos resultados de pesquisa ao setor produtivo, seja em forma de seminários, seja por meio de dias de campo.

“É uma cultura de alto risco e poucas pessoas conhecem como trabalhar com oliveiras, o conhecimento vem de fora, do exterior. O que a gente pretende ao criar esse grupo é construir esse conhecimento, a partir da nossa realidade. O solo é diferente, o clima diferente, e há características diferentes dentro das regiões do Estado. A nossa ideia é construir o conhecimento dentro da realidade do Rio Grande do Sul, consolidar informações a partir de pesquisas no Rio Grande do Sul e dar o retorno para o setor produtivo”, detalha a pesquisadora.

Trabalhos multidisciplinares

Desde 2016, o DDPA conta com um grupo de pesquisa multidisciplinar voltado para a cultura das oliveiras, composto por 22 pesquisadores, que vem trabalhando nos seguintes temas: desenvolvimento de um sistema de modelagem numérica de tempo e clima específico para a cultura das olivas; estudos sobre fenologia e exigências térmicas de variedades plantadas no Rio Grande do Sul; utilização de fungos benéficos que auxiliem na absorção de água e sais minerais na produção de mudas; biodiversidade de insetos e microrganismos para o controle de pragas e doenças; além de diagnóstico da fertilidade e status nutricional dos olivais.

Entre 2018 e 2019, o grupo participou de eventos nacionais e internacionais voltados para a área e publicou cinco artigos científicos com informações importantes sobre o trato da cultura. “Falamos sobre a antracnose,causada por espécies do fungo Colletotrichum spp, e o controle alternativo da cochonilha branca, ambos considerados os principais problemas fitossanitários da cultura; os resultados sobre a fenologia das principais cultivares plantadas no Estado, além de informações sobre os hábitos dos consumidores  em relação ao azeite de oliva no Rio Grande do Sul”, enumera Andréia.

Maior produtor nacional

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de azeite e azeitonas em conserva do Brasil, com 1,55 mil toneladas de azeitonas para processamento de azeite, área plantada de cinco mil hectares e área colhida de mil hectares. São 150 produtores, 10 indústrias e 25 marcas de azeite gaúchas. Em 2019, foram produzidos 188 mil litros de azeite no Estado.

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